Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2018
A Operação Skala da Polícia Federal que nessa quinta-feira prendeu provisoriamente alguns dos amigos mais próximos do presidente Michel Temer (o advogado José Yunes, ex-ministro Wagner Rossi e o coronel aposentado João Batista Lima) caiu com uma bomba no Palácio do Planalto.
Auxiliares mais próximos do chefe do Executivo não escondem a perplexidade com as prisões. E já reconhecem que isso terá forte impacto nos planos do governo para criar uma agenda positiva, de olho em uma possível candidatura de Temer nas eleições deste ano.
“A Polícia Federal prendeu o círculo mais próximo de Temer. É uma tentativa de emparedar o presidente”, declarou ao jornal “O Globo” um auxiliar próximo.
A operação pegou o Palácio do Planalto de surpresa na véspera do feriado da Páscoa. Mas de forma reservada, a avaliação é que as prisões têm um efeito explosivo. O grande temor no primeiro escalão do governo é de que o avanço dessa investigação possa culminar com uma nova denúncia contra Temer, o que paralisaria em definitivo o governo.
Até mesmo alguns aliados mais ferrenhos admitem que, se já havia o reconhecimento interno de que Temer já está “esvaziado”, uma nova denúncia deixaria o governo com as mãos amarradas e completamente refém de seus apoiadores no Legislativo.
Um dos reflexos imediatos será a paralisia da pauta econômica do governo no Congresso Nacional. E a dificuldade para concluir a reforma ministerial. “A lógica do Palácio do Planalto era a de cobrar fidelidade dos partidos. Só poderiam manter integrante em ministério as legendas que apoiassem Michel Temer. Agora, a lógica se inverteu e o que está em jogo é a própria sobrevivência política do presidente da República”, analisou em “off” um parlamentar.
Cautela
A agenda positiva tentada pelo presidente Michel Temer nessa quinta-feira, com a inauguração de um novo terminal no aeroporto em Vitória (ES), na presença de autoridades locais e ministros de Estado, tornou-se uma verdadeira exposição diante da crise gerada pela deflagração da Operação Skala.
Enquanto Temer tentava manter clima de normalidade, os seus assessores eram orientados a evitar declarações e reunir a maior quantidade possível de informações sobre as prisões. Nos bastidores, discussões sobre uma terceira denúncia contra Temer e o impacto na candidatura pela reeleição tornaram-se inevitáveis.
Durante a maior parte do dia, “cautela” foi a palavra-de-ordem até que o governo tivesse a real dimensão da força-tarefa, enquanto Temer retornava para Brasília durante a tarde. Internamente, muito se discutiu sobre qual a melhor maneira de evitar a ligação direta do caso ao presidente. Entre assessores do presidente no Planalto, há uma avaliação de que o desarquivamento do inquérito e as ações decorrentes, até as prisões desta quinta-feira, estão baseadas em “motivações políticas”.
O temor é de que a a prisão dos amigos de longa data de Temer instale o epicentro da crise no gabinete presidencial do Palácio do Planalto. O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), que acompanhava o presidente no evento capixaba, distribuía algumas ordens por mensagem de celular.
Durante a inauguração do aeroporto, Temer não fez nenhuma referência à prisão de seus amigos pela Polícia Federal. No discurso, ele citou realizações de seu governo e disse que a Presidência tem um trabalho “dificílimo”, que “fica sujeito a bombardeios a todo momento”.
Em Florianópolis, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, tentou manter a serenidade ao se pronunciar sobre o assunto, mas criticou a ação. Segundo ele, “é como estivessem investigando um assassinato de quem não morreu”.
“A prisão de dois amigos do presidente é uma situação em relação a qual ainda não temos o conhecimento específico dos motivos que levaram a ela. É como se estivessem investigando o assassinato de quem não morreu O decreto dos portos não beneficia a Rodrimar. E no final estará esclarecida a absoluta inocência do presidente em relação a tudo isso”, frisou.
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