Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2015
O juiz federal Sergio Moro deu prazo até a quinta-feira para que as defesas da Odebrecht e dos diretores da empreiteira Márcio Faria da Silva e Rogério Araújo expliquem as anotações encontradas no celular de Marcelo Odebrecht, presidente da holding que controla a empresa, preso na 14ª fase da Operação Lava-Jato.
No smartphone do executivo, conforme o inquérito protocolado na terça-feira, foram encontrados os seguintes textos, transcritos no formato original, de acordo com a Justiça: “MF/RA: não movimentar nada e reimbolsaremos tudo e asseguraremos a familia. Vamos segurar até o fim Higienizar apetrechos MF e RA Vazar doação campanha Nova nota minha midia? GA, FP, AM, MT, Lula? E Cunha? […]”
Segundo Moro, uma análise preliminar sugere que MF e RA são siglas referentes a Silva e Araújo, subordinados diretos de Odebrecht e também investigados por crimes de corrupção na Petrobras. A anotação, afirmou o juiz, indica que ambos estariam sendo orientados a não movimentar suas contas e que, no caso de sequestro e confisco judicial de bens e valores, seriam reembolsados.
O “higienizar” seria para que os diretores limpassem os dados dos celulares deles e, por consequência, destruíssem provas, ainda conforme Moro. “Vazar doação” é algo que ainda não foi elucidado, mas parece ser uma ameaça a beneficiários, disse o juiz.
A Odebrecht afirmou, por meio de nota, que as defesas se pronunciarão dentro do prazo legal. A empresa disse repudiar “especialmente a intenção de atribuir ao diretor-presidente da holding pretensas intenções extraídas de raciocínios especulativos”. (AG)
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