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Mundo Vaticano muda declaração do papa sobre ajuda psiquiátrica a criança que dê sinal de ser gay

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Francisco dá entrevista a jornalistas em avião durante viagem. (Foto: Reprodução)

O Vaticano retirou, nesta segunda-feira (27), a referência à “psiquiatria” na declaração dada no domingo (26) pelo papa Francisco, ao ser questionado sobre a homossexualidade, e um porta-voz disse que o sumo pontífice não quis abordar o tema como “uma doença psiquiátrica”. No domingo, em entrevista coletiva no avião que levava Francisco da Irlanda de volta para Roma, o papa argentino disse que os pais que observarem tendências homossexuais em seus filhos devem dialogar e dar espaço para que a criança possa se expressar.

Durante a entrevista, o papa disse: “Uma coisa é quando se manifesta quando criança, quando há tantas coisas que podem ser feitas, com a psiquiatria ou… para ver como estão as coisas. Outra coisa é quando se manifesta 20 anos depois”.

Na transcrição da entrevista, publicada nesta segunda pelo serviço de imprensa do Vaticano, a frase ficou: “Uma coisa é quando se manifesta quando criança, quando há tantas coisas que podem ser feitas, para ver como estão as coisas. Outra coisa é quando se manifesta 20 anos depois”.

Um porta-voz do Vaticano explicou à agência France Presse que a palavra “psiquiatria” foi retirada do boletim “para não alterar o pensamento do papa”.

“Quando o papa se refere à ‘psiquiatria’, é claro que ele faz isso como um exemplo que entra nas coisas diferentes que podem ser feitas”, explicou a mesma fonte.

“Mas, com essa palavra, ele não tinha a intenção de dizer que se tratava de uma doença psiquiátrica, mas que talvez fosse necessário ver como são as coisas no nível psicológico”, acrescentou o porta-voz. Na mesma entrevista, o papa disse que não comentaria as acusações do acerbispo de um ex-embaixador do Vaticano de que teria encoberto abusos sexuais.

Associações criticaram

Associações LGBT francesas interpretaram que, ao citar ajuda psiquiátrica, o papa considera a homossexualidade como uma doença e criticaram seus comentários como “irresponsáveis”. “Condenamos estas declarações que fazem referência à ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença é esta homofobia arraigada na sociedade”, disse à agência France Presse Clémence Zamora-Cruz, porta-voz da Inter LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Suas palavras “graves e irresponsáveis incitam o ódio contra as pessoas LGBT em nossas sociedades já marcadas por altos níveis de homofobia”, reagiu no Twitter a organização SOS Homofobia.

“Retoque”

Não é a primeira vez que o Vaticano “retoca” declarações dadas pelo papa, na tradicional coletiva que ele dá ao voltar de suas viagens ao exterior.

Segundo a agência I.Media, especializada no Vaticano, a assessoria de comunicação da Santa Sé retirou, em 2007, uma frase inteira pronunciada por Bento XVI, sobre o monsenhor Oscar Romero, arcebispo de São Salvador, assassinado em 1980: “Não duvido que ele mereça ser beatificado, mas temos de considerar o contexto”.

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