Sábado, 06 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2018
Desde o início do mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) tenta intimar o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. Um oficial de Justiça tem ido diariamente ao gabinete do parlamentar em Brasília mas não consegue localizá-lo.
Eduardo, 34 anos, foi denunciado em abril pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por ameaçar a jornalista Patrícia Lélis, dez anos mais nova, com quem teria mantido um relacionamento amoroso. Ele enviou várias mensagens à moça, por meio do aplicativo Telegram, dizendo que ela “se arrependeria de ter nascido” e que iria “acabar com a vida” dela. O relator do caso na Corte é o ministro Roberto Barroso.
Em abril, o filho de Jair Bolsonaro divulgou um vídeo com aproximadamente oito minutos de duração, no qual desqualifica a denunciante, acusando-a de ser “mitomaníaca” e de inventar histórias envolvendo outras pessoas. Procurado pela imprensa para comentar o caso, ele tem se esquivado.
De acordo com o Supremo, uma chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro disse que ele atenderia o oficial de Justiça depois de 22 de outubro, mas até agora não cumpriu o combinado. Ele foi reeleito com a maior votação de um deputado federal na história e nos últimos dias está na mira da imprensa e do própria Corte após a divulgação do vídeo de uma palestra a concurseiros, na qual ele diz que “basta um soldado e um cabo para fechar o STF”.
Entenda
O caso decorre de acusação da jornalista Patrícia Lélis (que chegou a concorrer a deputada federal polo Pros). Ela apresentou conversas pelo aplicativo Telegram em que Eduardo Bolsonaro a ofende e ameaça. Em julho de 2017, depois de uma troca de agressões públicas, ele se dirigiu a ela em privado pelo aplicativo. “Sua otária! Quem você pensa que é? Se falar mais alguma coisa, eu acabo com sua vida”, escreveu o filho do presidenciável.
“Isso é uma ameaça?”, reagiu ela. “Entenda como quiser. Depois reclama que apanha. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais para aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você. Acabo mais ainda com a sua vida.”
No Telegram, as mensagens são apagadas automaticamente após a leitura. Lélis filmava a conversa. “Estou gravando”, ela avisou. “Foda-se. Ninguém vai acreditar em você”, ele respondeu. Lélis, então, afirmou que iria tornar pública a desavença.
“Vai par o inferno. *P! Você vai se arrepender de ter nascido. O aviso está dado. Mais uma palavra, e eu vou pessoalmente atrás de você. Num pode me envergonhar, vagabunda”, vociferou Bolsonaro. “Resolvemos na Justiça”, rebateu Lélis. “Enfia a Justiça no seu *c”, ele concluiu.
Segundo a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a autoria restou demonstrada pela operadora da linha de telefone celular do deputado. Ela denunciou Eduardo Bolsonaro pelo crime de ameaça, tipificado no artigo 147 do Código Penal. “O denunciado era plenamente capaz à época dos fatos, tinha consciência da ilicitude e dele exigia-se conduta diversa”, registrou Raquel.
“Relevante destacar que o denunciado teve a preocupação em não deixar rastro das ameaças”, anotou. “A conduta é especialmente valorada em razão de o acusado atribuir ofensas pessoais à vítima no intuito de desmoralizá-la, desqualificá-la e intimidá-la.”
Em um vídeo publicado no dia 13 de abril, depois de denunciado, ele afirmou que a jornalista mentia e a desqualificou, citando caso envolvendo o deputado Pastor Marco Feliciano (Pode-SP), a quem Lélis acusou de tentativa de estupro. Ela acabou se tornando ré por suposta tentativa de extorsão.
“Essa moça, Patrícia Lélis, já deveria ter sido interditada. Se a procuradora Raquel Dodge tivesse o mínimo de zelo, veria esses fatos, porque não é de difícil elucidação. Basta dar um Google e você vai ver os diversos casos de mentira.”
Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou que evitava dar notoriedade à jornalista porque ela é candidata. “Mas agora, como há processo judicial, eu vou pedir perícia. Será facilmente comprovada a montagem que é esse print de eu a ameaçando e pretendo obviamente, quando isso restar comprovado, mover uma ação contra ela por denunciação caluniosa e pedindo danos morais”, ressalvou.
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