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Política Depois de ofensa de Bolsonaro, Paulo Freire vai ser homenageado pelo Senado

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O requerimento partiu do líder do PDT, senador Weverton (à dir.), com outros senadores, como Randolfe Rodriges (à esq.) e Fabiano Contarato.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
O requerimento partiu do líder do PDT, senador Weverton (à dir.), com outros senadores, como Randolfe Rodriges (à esq.) e Fabiano Contarato. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O Senado respondeu à ofensa do presidente Jair Bolsonaro ao educador Paulo Freire com a aprovação de uma sessão especial em homenagem ao patrono da educação brasileira. O requerimento partiu do líder do PDT, senador Weverton (PDT-MA), com outros senadores, e foi aprovado no início da tarde desta terça-feira (17).

Ao debater a iniciativa, os senadores condenaram Bolsonaro, que chamou Freire de “energúmeno”, na segunda-feira (16), quando saía da residência oficial do Palácio da Alvorada. Na ocasião, ele também declarou que a programação da TV Escola “na verdade deseduca os brasileiros”.

O senador Fabiano Contarato (Rede-AP) fez duras críticas ao presidente e chegou a pedir a renúncia do chefe do Executivo. Para o representante do Espírito Santo, Jair Bolsonaro faria muito bem se renunciasse, não só aos brasileiros, mas à população mundial.

“‘Energúmeno’ é um presidente misógino, preconceituoso, sexista, homofóbico, racista, que passa uma reforma da Previdência para aumentar a desigualdade, que só beneficia banqueiros, empresários e a União e que só tem como objetivo tirar direito dos mais pobres. Energúmeno é um presidente que não age como um verdadeiro estadista; que não sabe respeitar as instituições […] Agora, não chame Paulo Freire, não ouse pronunciar o nome dele. Acho que o presidente tinha que limpar a boca antes de falar no nosso mestre da educação”, protestou.

Contarato disse que não poderia se calar diante disso e recomendou que Bolsonaro leia algumas obras, como Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Indignação, e lembrou que há professores ganhando R$ 900 em alguns estados, “profissionais que são verdadeiros missionários na luta por uma causa nobre”.

“É necessário que esta Casa marque a sua função, ponha a sua digital para corrigir isso, porque um presidente que flerta com AI-5, que não reconhece a ditadura e que ainda ousa falar que, se um ministro dele tiver qualquer conduta desvirtuosa ele deveria ser pendurado num pau de arara — que é comportamento típico de tortura — isso não o credencia a ser um verdadeiro estadista. Eu tenho vergonha do nosso presidente da República”, disse.

Escuridão

O senador Weverton, por sua vez, lembrou que Paulo Freire dedicou toda a sua vida à causa social e reconhecê-lo é reconhecer a história do Brasil, algo que Jair Bolsonaro não sabe fazer.

“Não é apenas a parte de dentro dos muros das universidades que precisa se indignar com tamanha agressão ao mestre da educação, mas qualquer homem e mulher que sabem que um dia nós podemos ser melhores se nós praticarmos o bem. E praticar o bem é apoiar, de forma intransigente, não só a educação, mas também defender os educadores”, completou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também saiu em defesa de Paulo Freire ao dizer que ele é o brasileiro mais homenageado em todos os tempos, reconhecido pela Unesco não somente pela condição humana, mas pela obra em prol da educação:

“Paulo Freire é reconhecido pela Unesco, não como homem, não somente pela sua condição humana, mas, em especial, pela obra que ele empreendeu para a educação, principalmente dando luz a uma teoria nova, chamada Pedagogia do Oprimido. Quem é Paulo Freire? Quem é o senhor Jair Bolsonaro? O lugar de um, o panteão dos heróis da história; o lugar de outro, a lata do lixo da história, para onde ele caminha a passos largos”, sentenciou.

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