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Mundo Para enfrentar a crise, o governo da Argentina faz um acordo com empresários, sindicatos e líderes sociais

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"A ideia deste acordo é iniciar um diálogo franco para assumir os problemas que temos", explicou o presidente Alberto Fernández. (Foto: Reprodução)

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, firmou nesta semana um acordo com empresários, sindicatos e líderes sociais visando promover o investimento, a indústria e o emprego, em um esforço conjunto por resolver a profunda crise econômica que atinge o país.

“A ideia deste acordo é iniciar um diálogo franco para assumir os problemas que temos (…) um país que leva dois anos consecutivos de queda no consumo e mais de vinte meses de queda na atividade industrial”, disse Fernández.

O acordo prevê atualizar as tarifas dos serviços públicos, promover o investimento produtivo e as exportações de valor agregado, e facilitar o acesso ao crédito bancário para habitação e produção.

Para reverter este cenário, é preciso que “os industriais invistam, que a indústria cresça, que possamos exportar, que haja geração de emprego, que a economia volte a se mover”, explicou o presidente, que assumiu o poder no dia 10 de dezembro.

A Argentina atravessa uma recessão econômica desde o segundo trimestre de 2018, com inflação acumulada de 48,3% em novembro e desvalorização do peso de 38% no mesmo período.

A queda do PIB foi de 2,5% em 2018, e o Fundo Monetário Internacional prevê um recuo de 3,1% em 2019.

O presidente argentino lançou um pacote de medidas econômicas e fiscais emergencial visando relançar a economia argentina.

Uma lei que integra o pacote dá ao Poder Executivo, durante um ano, uma série de poderes para administrar o Estado em matéria econômica, financeira, fiscal, administrativa, previdenciária, tarifária, energética, sanitária e social.

A medida inclui o aumento de impostos para as classes alta e média, benefícios sociais para os setores carentes e uma tarifa de 30% para a compra de dólares e gastos com cartão de crédito no exterior.

Economia

A Argentina está em recessão. De acordo com a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), seu Produto Interno Bruto (PIB) deverá cair 3,1% neste ano e 1,3% em 2020.

Depois de bater quase 55% em agosto, a inflação oficial cedeu nos últimos meses, mas segue em nível extremamente elevado, de 50,5% nos 12 meses até outubro.

É a segunda mais alta da América do Sul, atrás apenas da Venezuela, que experimenta hiperinflação e uma grave crise. O desemprego é de 10%, a pobreza atinge 40,8% da população de pouco mais de 40 milhões de habitantes, de acordo com o Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), que costuma antecipar os dados oficiais.

Além disso, a Argentina possui dívida a ser paga ao FMI e aos que investiram nos títulos do país – e ainda não está claro como faria para pagar. Em um discurso para empresários, Alberto Fernández disse que “pagaria a dívida” e “sem descontos”, mas quando o país voltar a crescer.

A economista Marina Dal Poggetto, da consultoria econômica Ecogo, de Buenos Aires, disse que o governo Fernández terá de administrar cinco tópicos ao mesmo tempo: o dólar, a inflação, o valor das aposentadorias e pensões, o preço das tarifas dos serviços públicos e a taxa de juros, que estão em níveis recorde.

“Estes cinco pontos dependerão de consistência política e econômica”, afirma. Para ela, a delicada situação social dificulta um ajuste fiscal.

“As aposentadorias não podem ter perdas, as tarifas não podem subir de maneira que afetem o consumidor, mas também não podem ser baixas para não aumentarem o rombo fiscal.”

“O que precisamos é de um programa de estabilização da economia como o que o Brasil já fez, com o Plano Real, e a Argentina ainda não”, avalia a economista.

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