Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de janeiro de 2020
O Ministério da Saúde foi mobilizado para tomar as providências para evitar a chegada do coronavírus no Brasil, segundo o presidente Jair Bolsonaro. ”Temos que nos preocupar, mas por enquanto nada de alarme”, afirmou ele à TV Record, em Nova Délhi. O ministério preparou um vídeo sobre a epidemia, segundo o presidente.
— Estamos preocupados, obviamente, mas não é uma situação alarmante, não existe nenhum caso confirmado no Brasil. Os nossos hospitais militares em momentos de crise ficam abertos ao público, e estamos nos preparando para que, se tivermos um problema, que ele seja atenuado — disse Bolsonaro.
O coronavírus já matou 56 pessoas na China. Outros países registram contaminação, como Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Na sexta, os Estados Unidos confirmaram o segundo caso da doença e a França relatou os primeiros três casos na Europa.
Contágio
O ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, revelou neste domingo que o coronavírus pode ser transmitido mesmo antes da manifestação dos primeiros sintomas e que o período de incubação pode variar de 1 a 14 dias. Nisso, ele se diferencia de outros coronavírus, como o que causou a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), entre 2002 e 2003.
— De acordo com informações clínicas recentes, a capacidade de propagação do vírus parece estar ficando um pouco mais forte — disse Ma em uma entrevista coletiva lotada, no segundo dia do feriado do Ano Novo Lunar, acrescentando que o conhecimento científico sobre o vírus ainda é limitado.
Gao Fu, chefe do Centro chinês de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou que o novo coronavírus “não é tão potente” quanto o vírus da Sars.
— Aparentemente, até agora, esta doença não é (…) tão potente quanto a Sars — disse.
A China reforçou suas medidas e restrições neste domingo para impedir a epidemia de pneumonia viral causada pelo coronavírus que já provocou 56 mortes e quase 2 mil infecções, enquanto os Estados Unidos e a França se preparam para tirar seus cidadãos de Wuhan, epicentro da doença.
A cidade de 11 milhões de habitantes está fechada para entradas e saídas desde quinta-feira, ao lado de grande parte da província de Hubei, no centro do país, da qual é a capital. Acredita-se que o vírus surgiu no final de 2019, em um mercado de peixe que Wuhan que vendia ilegalmente animais selvagens.
Essa medida sem precedentes, que afeta dezenas de milhões de pessoas, tem como objetivo conter a propagação da epidemia, que o presidente chinês Xi Jinping chamou de ameaça “grave”.
Províncias
Fora do epicentro da doença, quatro cidades — incluindo Pequim e Xangai — anunciaram a suspensão do tráfego de ônibus de longa distância, uma medida que afetará milhões de pessoas que viajam por ocasião do feriado do Ano Novo, o principal na China. Além disso, a província de Guangdong (Cantão), a mais populosa da China, impôs no domingo a seus 110 milhões de habitantes a obrigação de usar uma máscara respiratória. Essa determinação — também aplicada na província de Jiangxi e em outras grandes cidades — já está em vigor em Wuhan.
Quase todas as mortes foram registradas na província de Hubei, mas no domingo o vírus provocou sua primeira vítima fatal em Xangai, a grande metrópole financeira no leste do país. O patógeno se espalhou para a China e vários outros países do planeta, tão distantes quanto a França, os Estados Unidos ou a Austrália.
O Departamento de Estado dos EUA disse no domingo que vai contratar voos de Wuhan para São Francisco para sua equipe consular e outros cidadãos americanos que estão na cidade. Por seu lado, o grupo automobilístico francês PSA (responsável por marcas como a Peugeot) anunciou que repatriará seus trabalhadores residentes na região de Wuhan e suas famílias.
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