Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2020
Um pacote de leis que entrou em vigor na sexta-feira (27) em Singapura estipula que quem quebrar as regras de isolamento durante a pandemia pode pagar multa de US$ 7.000 (R$ 35 mil) e ser condenado a até seis meses de prisão.
De acordo com as regras, as sanções valem para quem não respeitar a distância de um metro de outras pessoas e para aqueles que se reunirem em grupos com mais de dez pessoas fora do trabalho ou da escola. O mesmo vale para quem não respeitar determinação de se isolar em casa. Singapura tem 844 casos de Covid-19 e três mortes. O país é visto como modelo no combate à doença.
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Singapura registrou contração de 2,2% em ritmo anual no primeiro trimestre devido à pandemia do novo coronavírus, o pior resultado desde a crise financeira de 2008 deste indicador chave na Ásia, de acordo com as estatísticas publicadas nesta quinta-feira.
Na comparação com o trimestre anterior, a economia de Singapura recuou 10,6%, anunciou o ministério do Comércio. A economia de Singapura é frequentemente a primeira a dar sinais de fragilidade em uma crise, mas também a primeira a registrar recuperação.
Os confinamentos e outras medidas para evitar a propagação do novo coronavírus impostas por muitos países abalaram a economia mundial, que pode afundar em um longo período de recessão, alertam os analistas.
E a cidade-estado, que é uma plataforma aérea, um eixo comercial e um centro financeiro chave na Ásia, parece ser uma das primeiras a sofrer quando o comércio mundial paralisa. Antes da pandemia, Singapura sofreu o golpe da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Os dados do primeiro trimestres de Singapura representam a pior contração desde 2009, em plena crise financeira mundial, quando o país do sudeste asiático registrou sua última recessão. O ministério do Comércio revisou a projeção de queda anual do PIB para algo entre 1% e 4% (antes calculava um resultado entre -0,5% e -1,5%).
O ministério destaca um “grau de incerteza importante” sobre a gravidade e a duração da epidemia, mas considera provável o aumento do nível de risco. Os dados trimestrais do PIB são estimativas que o governo pode ser obrigado a atualizar. Singapura adotou medidas drásticas para conter o vírus, proibindo o acesso ao território e aos não residentes, inclusive para o tráfego aéreo, esta semana.
Sucesso em frear o vírus
No universo de respostas possíveis à pandemia de Sars-CoV-2, o novo coronavírus, há diversos exemplos de como lidar com a questão. Alguns países até têm conseguido frear a epidemia; outros, por causa da demora em agir e por escolhas incorretas, experimentam o que a doença tem de pior a oferecer. Não há uma receita exata a ser seguida, mas há um consenso de que reconhecer o tamanho do problema e monitorar de perto os primeiros casos faz a diferença.
A baixa velocidade do avanço em Singapura e em Hong Kong é atribuída ao estrito controle nas possíveis aglomerações. Celebrações religiosas, por exemplo, foram suspensas. Singapura fechou as fronteiras para pessoas vindas da China; em Hong Kong, os visitantes chineses têm que passar por quarentena.
No Japão, escalado para sediar a Olimpíada de 2020, em Tóquio, a curva também progride devagar. Se, por um lado, medidas como suspender aulas e colocar um navio repleto de passageiros em quarentena podem ter tido algum efeito, há a discussão de que a testagem demasiadamente criteriosa de casos suspeitos promovida pelo país poderia camuflar a real situação.
A importância de tentar frear a epidemia logo no começo —e deixar essas “retas” menos inclinadas— se explica por causa da seguinte relação matemática: quanto mais casos forem evitados no presente, menos casos existirão num instante futuro. Isso tem um impacto enorme em saúde pública, já que reduziria o número de pessoas simultaneamente em estágio grave, permitindo um melhor cuidado para elas, inclusive com itens críticos, como respiradores e leitos de UTI.
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