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Brasil Após a reabertura do comércio, casos de coronavírus triplicam em Santa Catarina. O Estado já tem o dobro da incidência da doença registrada no Rio Grande do Sul

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População deve ficar atenta aos sintomas variados. (Foto: Reprodução/Twitter)

Os novos casos de coronavírus em Santa Catarina mais que triplicaram desde que foi autorizada pelo Estado a volta do comércio de rua, no dia 13 de abril. Naquela data, eram 826 pacientes com Covid-19, quantidade que subiu para 2.917 nessa quarta (5). No mesmo período, as mortes aumentaram de 26 para 59.

O número de casos registrados em Santa Catarina é o dobro da incidência da Covid-19 no Rio Grande do Sul. A proporção catarinense é de 34 infectados a cada 100 mil habitantes. No RS, esse número é de 17 a cada 100 mil.

Por nota, o governo do Estado disse que o aumento se deve ao fato de Santa Catarina ter passado a integrar dois sistemas do Ministério da Saúde (e-SUS VE e SIVEP Gripe) – e os casos confirmados por teste rápido sorológico, critério clínico e vínculo epidemiológico passarem a ser contabilizados – e também a um “movimento esperado diante do avanço da pandemia”.

No dia 12 de abril, o Estado tinha 776 infectados. No dia 19, eram 1.025, diferença de 249 casos. Após mais sete dias, em 26 de abril, o número foi para 1.337, ou seja, mais 312 pacientes. E, no dia 3 de maio, Santa Catarina registrava 2.519 pessoas com coronavírus – mais 1.182 novos casos em relação à semana anterior.

Somente no dia 28 de abril, o governo registrou 519 casos novos em relação ao dia anterior, a maior variação em 24 horas até agora. O então secretário de Saúde, Helton Zeferino, avaliou que o salto foi devido à integração do painel da base de dados do Estado ao e-SUS e do Sivep Gripe.

Uma análise usando modelo matemático feita por 11 pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade da Região de Joinville (Univille), Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e Universidade de Waterloo, do Canadá, mostra a mudança no padrão de crescimento de casos.

O achatamento deixou de existir desde o dia 28 de abril, sendo consequência provável da liberação de 13 de abril, explicou Oscar Bruna-Romero, um dos pesquisadores envolvidos. Ele é professor de microbiologia da UFSC e especialista em doenças infecciosas e vacinas.

“O gráfico mostra claramente como os casos se desviaram radicalmente da tendência de achatamento que teríamos em abril e já estão marcando um aumento fora de controle. Os dados [usados] são os oficiais. E sabemos que estão subnotificados. Os números reais são muito maiores”, disse.

Normalmente, os dados vão explicar o que aconteceu, em termos de contaminação, num período de 7 a 14 dias anteriores, aproximadamente, explica o professor titular de Saúde Pública da UFSC, Sérgio Freitas, especialista e pesquisador na área. A taxa de crescimento de infectados era baixa até a semana de 24 de abril, disse. “A partir dali em diante, houve crescimento importante. Se trabalharmos com essa janela, uma parte importante [dos novos casos] veio com a reabertura do comércio”.

Ele considera que dois fatores estão associados à alta: há mais gente circulando nas ruas, e inicialmente muitas não usavam máscaras; e a falsa sensação de que, com a retomada de diversas atividades, as coisas estavam retornando à normalidade, tendo como consequência a população passando a não se prevenir tanto. Nesse sentido, Freitas faz críticas ao governo catarinense.

“Quando você começa a sinalizar para as pessoas que a vida está voltando ao normal, ou seja, o comércio está aberto e os shoppings estão funcionando, as pessoas começam a entender que a vida está voltando ao normal, então elas têm uma tendência de se proteger menos. O grande fator de adesão da população catarinense no início foi o medo de pegar a doença. E o governo ficou sinalizando medidas contraditórias, não pode uma coisa, mas agora pode tal coisa”, declarou.

Para o estudioso, as medidas de relaxamento não foram baseadas em estudo epidemiológico, e sim no aspecto econômico e na taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), considerada baixa em relação a outros Estados. “Ocupar muitos leitos com Covid-19 não é uma meta. Não deveria ser”, disse.

Freitas afirmou que considera que a epidemia não chegou ao seu máximo. “Talvez essa reversão pudesse acontecer se mantivéssemos o isolamento todo, embora do ponto de vista econômico seria provavelmente muito mais complicado, muito mais desastroso. O que nós teríamos, sem dúvida, seria um platô num nível muito mais baixo”, declarou.

Uma flexibilização mais lenta teria sido melhor para que não houvesse a escalada nos casos, avalia o professor Oscar.

“O ideal seria ir abrindo mais devagar. As liberações foram feitas sem aguardar para ver as consequências. A impaciência é que pode nos prejudicar. O ciclo da doença entre o contágio e aparecimento dos últimos óbitos é de até 1 mês e meio. Não devem ser tomadas decisões de liberação com 10 dias de diferença”, explicou.

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