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Política O ministro da Justiça diz que operações da Polícia Federal não têm interferência de agentes políticos

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Mendonça aguardava o resultado do exame PCR depois de ter resultado negativo no teste rápido. (Foto: Renato Menezes/AGU)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, declarou que operações da Polícia Federal (PF), como as deflagradas contra o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e, no mês passado, contra Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, ocorrem sem qualquer atuação, interferência ou conhecimento prévio de agentes políticos. Ele disse ainda que, se há algum vazamento, ele deve ser verificado e “saneado” onde ocorrer.

Mendonça foi questionado sobre um suposto direcionamento político das ações da PF, depois que aliados do governo cobraram investigações contra governadores que se opõem ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Na quarta-feira (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, comentou que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) ou recebeu informações antecipadas sobre a operação da PF que atingiu Witzel, ou tem uma “bola de cristal”. Um dia antes da ação, a parlamentar disse em entrevista à Rádio Gaúcha que governadores seriam alvo de operações para investigar desvios na área de saúde.

“A Polícia Federal é uma instituição não só reconhecida como admirada por todos nós brasileiros. E o trabalho dela, acho que o nosso papel é lutar, não só nosso, agentes públicos, mas de todos nós, é conservar esse patrimônio de uma polícia independente, autônoma, que tenha, e de fato tem, um quadro qualificadíssimo. E ela atuava, atua e deve sempre atuar com absoluta independência. Então as operações ocorrem sem qualquer atuação de agentes ou interferência de agentes políticos, ou conhecimento. E é nesse sentido que ela deve continuar atuando. Então nós não sabemos”, declarou o ministro, em entrevista no Palácio do Planalto, após participar de reunião com Bolsonaro e secretários de segurança estaduais.

O titular da Justiça e Segurança Pública acrescentou que essas operações são realizadas também com o aval do Judiciário, além do acompanhamento, fiscalização e “até atuação ativa” do Ministério Público Federal.

“A Polícia Federal tem credibilidade e legitimidade, tem serviços prestados e deve se comprometer com essa linha de atuação sempre. E esse é o nosso compromisso”, complementou.

Novamente questionado sobre o tema, ele reforçou a “total independência” da PF, que é subordinada ao ministério que comanda, e disse que todas as suas ações devem ser feitas de forma técnica, imparcial e impessoal. O ministro disse ainda que “logicamente” lamenta ver autoridades públicas sendo submetidas a um processo que envolva a atuação da Polícia Federal, “principalmente em questões tão caras para nós, como, em uma crise de pandemia desta natureza, todos estejamos compromissados com a boa aplicação dos recursos públicos”. Apesar disso, ele disse ainda desejar que a corporação continue sendo reconhecida.

Ainda sobre o suposto vazamento das operações, ele apontou que a PF atua de forma segregada no uso das informações e declarou que “as autoridades públicas no nível político não devem acompanhar operações que estão tramitando num nível sigiloso, em segredo de Justiça”.

“Então o que nós… eu, como ministro, por exemplo, sei das operações que envolvem a Covid basicamente são as informações que a própria imprensa coloca. E é nesse sentido que nós devemos trabalhar. E, logicamente, garantindo-se o direito à ampla defesa de todas as pessoas que são afetadas num processo dessa natureza”, concluiu.

Operação no Pará

Deflagrada na manhã de quarta, a operação da PF no Pará que teve o governador, Helder Barbalho, como um dos alvos apurou suspeitas de fraude na compra de respiradores pulmonares pelo Estado para o combate ao coronavírus.

Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão no Pará e em outros seis Estados. E foram bloqueados R$ 25,2 milhões do governador e de outros sete investigados, entre eles empresários sócios da empresa que vendeu os aparelhos, o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, e o secretário adjunto da gestão administrativa da Saúde do Estado, Peter Cassol, que foi exonerado. A polícia apreendeu R$ 750 mil em espécie na casa de Cassol.

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