Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2021

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#coronavírus A Alemanha vai usar um novo remédio contra o coronavírus

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Ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, anuncia compra de medicamento à base de anticorpo. (Foto: Reprodução)

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, anunciou que o governo da Alemanha comprou uma nova droga contra o coronavírus à base de anticorpos. “A partir da próxima semana, a Alemanha será o primeiro país da UE onde serão usados anticorpos monoclonais. Inicialmente isso ocorrerá em clínicas universitárias”, disse Spahn, em entrevista publicada no jornal Bild am Sonntag.

“O governo alemão comprou 200 mil doses por 400 milhões de euros”, acrescentou. Isso corresponde a um preço de 2 mil euros (cerca de R$ 13 mil) por dose. Os medicamentos serão gradativamente colocados à disposição dos hospitais especializados, gratuitamente, dentro das próximas semanas.

O tratamento com anticorpos visa beneficiar pacientes adultos com sintomas leves ou moderados e com risco de agravamento da doença. “Eles funcionam como uma vacinação passiva. A administração desses anticorpos pode ajudar os pacientes de alto risco na fase inicial a prevenir um agravamento da doença”, disse Spahn.

De acordo com o Ministério da Saúde da Alemanha, a administração da terapia será baseada em uma avaliação individual de risco e benefício realizada pelo médico responsável pelo tratamento.

Os anticorpos monoclonais são produzidos em laboratório com função de desativar o vírus após a infecção. “Monoclonal” significa que os anticorpos usados são todos iguais e atacam o vírus num alvo claramente definido. “De acordo com os estudos disponíveis, o medicamento pode ajudar a limitar a quantidade de vírus no corpo e, assim, ter uma influência positiva no curso da doença”, disse uma porta-voz do ministério.

Uso possível sem aprovação

De acordo com a informação do ministério, o órgão garantiu contingentes de dois medicamentos. Um é o bamlanivimab, desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly; o outro são os dois anticorpos casirivimab e imdevimab da empresa americana Regeneron, que devem ser administrados ao mesmo tempo.

Nos EUA, a agência reguladora de medicamentos e alimentos FDA concedeu uma aprovação emergencial para esses medicamentos. Eles ainda não foram aprovados na União Europeia.

O Ministério da Saúde alemão afirma que, segundo a avaliação do Instituto Paul Ehrlich (PEI), órgão federal alemão encarregado de vacinas e medicamentos biomédicos, é possível, a princípio, uma utilização na Alemanha após uma avaliação individual, caso a caso, pelo profissional médico, da relação entre benefício e risco, já que há outras opções terapêuticas aprovadas.

Trump

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump também recebeu esse tipo de terapia quando contraiu o coronavírus. Trump foi tratado no início de outubro com o coquetel de anticorpos REGN-COV2, da Regeneron.

O ingrediente ativo do REGN-COV2 é uma combinação de dois anticorpos especialmente desenvolvidos que se ligam à chamada proteína spike do coronavírus e podem, assim, deformar sua estrutura, impedindo que o coronavírus ataque as células humanas e se multiplique. De acordo com a Regeneron, a combinação de dois anticorpos diferentes visa evitar a mutação do vírus Sars-cov2.

Na entrevista, Spahn também alertou contra atribuições de culpa durante a pandemia, num momento em que muitos criticam a demora da campanha de vacinação no país e a falta de imunizantes suficientes. “Falar sobre erros e omissões é importante. Mas sem que isso se torne algo implacável. Sem que se torne apenas uma questão de colocar a culpa nos outros”, disse o ministro.

Spahn descartou o relaxamento das restrições para contenção do coronavírus só para pessoas vacinadas até que haja uma vacinação disponível para todos os cidadãos. “Nós nos solidarizamos em meio a esta pandemia durante um ano. Agora, podemos muito bem seguir as regras pelos meses restantes até que todos possam ser vacinados”, disse ele.

A Alemanha estendeu seu lockdown nacional até 14 de fevereiro, apesar de crescentes pedidos pela flexibilização de algumas medidas. Epidemiologistas do país afirmam que o debate sobre um relaxamento ainda é prematuro. “Do ponto de vista epidemiológico, não está claro para mim por que uma flexibilização precoce (das restrições) está sendo discutida agora”, disse Hajo Zeeb do Instituto Leibniz para Pesquisa de Prevenção e Epidemiologia à agência de notícias alemã dpa, citando as ainda altas taxas de infecção.

Eva Grill, presidente da Sociedade Alemã de Epidemiologia, disse estar profundamente preocupada. “Se o atual lockdown for relaxado muito cedo, corremos o risco de uma terceira onda, que nos atingirá com mais força, porque a nova variante do vírus é muito mais contagiosa.”

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