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Copa do Mundo 2026 A ascensão meteórica do titular Rayan

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Rayan já era monitorado pela comissão técnica muito antes da convocação dos 26 nomes para a Copa, e poderia estar na lista de qualquer forma. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Escolhido por Carlo Ancelotti para substituir o lesionado Raphinha quando todo o Brasil pedia por Endrick, Rayan agarrou a vaga de titular da seleção brasileira no jogo contra a Escócia e dificilmente vai soltá-la. Aos 19 anos e 325 dias, o atacante revelado no Vasco se tornou o sexto atleta mais jovem a começar uma partida como titular em Mundiais, e o primeiro com menos de 20 anos a iniciar um jogo pela seleção desde a campanha do tricampeonato, em 1970. A dimensão histórica ajuda a explicar o tamanho da aposta feita pela comissão técnica, mas há elementos que mostram como a escolha está longe de ser tratada como um improviso.

Embora tenha sido lembrado após o corte de Estêvão e Rodrygo, Rayan já era monitorado pela comissão técnica muito antes da convocação dos 26 nomes para a Copa, e poderia estar na lista de qualquer forma. O atacante já fazia parte das observações da CBF desde o ano passado. Em fevereiro de 2025, Rayan disputava o Sul-Americano Sub-20, na Venezuela, pela seleção comandada por Ramon Menezes, e era observado pela comissão da equipe principal ainda com o técnico Dorival Junior. No Vasco, Fernando Diniz, que também comandou o Brasil neste ciclo, deu mais espaço ao atacante e projetou sua presença na Europa, para onde Rayan acabou vendido ao Bournemouth, da Inglaterra, por R$ 200 milhões, e na seleção, onde ganhou a primeira chance na convocação de Ancelotti em março deste ano, para os jogos contra França e a Croácia.

Rayan não esconde a importância de Diniz. Quando viu o atacante no Vasco, o jovem estava praticamente vendido ao Botafogo de John Textor, por R$ 50 milhões mais 10 mandos de campo, ano passado. Diniz pediu ao presidente Pedrinho que não aceitasse a venda. No primeiro treino, o técnico cobrou de Rayan que ele praticamente não tocasse a bola para ninguém, apenas arrastasse na direção do gol. Ao encorajar o atacante a ser protagonista, o talento desabrochou mais em treinos e jogos. A partir daí, o recado era claro: Rayan tinha um outro patamar. No segundo jogo de Diniz no Vasco, o técnico o cobrou publicamente, mas o atacante reagiu bem e fez uma jogada que resultou em gol.

— O Diniz, para mim, é um cara que sempre vai ser um pai, um cara que me ajudou bastante. Como todo mundo viu no último jogo, na minha parte defensiva, ele foi um cara que me ajudou bastante nessa parte. Esse é um cara que se deixar, me liga quase todo dia (risos) — contou Rayan, que ainda guarda toda a timidez, durante entrevista coletiva como titular da seleção, ontem, nos Estados Unidos.

Ainda nos tempos de Vasco, o meia Philippe Coutinho era outro já via no atacante potencial para atuar na elite do futebol europeu, e “adotou” o cria junto com Diniz. Adversário pelo Fluminense, o zagueiro Thiago Silva também se impressionou com a características do atacante após enfrentá-lo em clássicos cariocas e passou a apontá-lo como um jogador com capacidade para chegar à seleção. Em um dos jogos, reconheceu diretamente para Rayan que ele dava muito trabalho. O aval de jogadores acostumados às maiores competições do mundo e com passagens marcantes pela seleção brasileira ajuda a explicar por que, dentro da CBF, a ascensão de Rayan é vista menos como uma aposta e mais como a confirmação de um processo de observação iniciado antes.

Nas graças de Ancelotti e do elenco

Quando Ancelotti o convocou, o entendimento da comissão técnica era de que Rayan reunia características que agradavam ao modelo de jogo idealizado: força física, velocidade, capacidade de atacar espaços em transição, imposição no jogo aéreo e intensidade na pressão sem bola. Sempre que foi acionado nos treinamentos, Rayan respondeu positivamente e treinou melhor que Luiz Henrique, reforçando uma impressão construída antes mesmo de virar titular. Nos bastidores da seleção, também não há surpresa com a evolução apresentada durante as primeiras semanas de Copa do Mundo. A avaliação é que o crescimento do atacante acompanha um processo natural de adaptação. A ansiedade da estreia contra o Haiti deu lugar à confiança com a titularidade, e e atuação refletiu o potencial que a comissão já enxergava, sobretudo na parte defensiva.

— Ancelotti olha muito para isso. Nessas duas convocações dei o meu melhor, e ele me deu essa oportunidade. Acho que agarrei bem. As coisas aconteceram muito rápido na minha vida. Na segunda convocação já estava numa Copa do Mundo. É um orgulho pra mim, pra minha família, por eu ter vindo de onde vim, de uma comunidade, para representar o Brasil — acrescentou Rayan. Com informações do portal O Globo.

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