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Saúde A cada cinco bebês no Brasil, um não foi vacinado para hepatite B

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Assim como a cobertura de todas as vacinas, o índice de imunização contra a hepatite B caiu de maneira preocupante no Brasil nos últimos anos. (Foto: Reprodução)

Assim como a cobertura de todas as vacinas, o índice de imunização contra a hepatite B caiu de maneira preocupante no Brasil nos últimos anos. De 2014 a 2022, a vacinação contra a doença caiu de 96% para 76% entre toda a população, segundo o Ministério da Saúde. A taxa também caiu de 90% para 80% entre bebês com até 30 dias de vida, período recomendado para a aplicação da primeira dose. A cada cinco bebês no Brasil, um não foi vacinado para hepatite B. Especialistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico apontam que os dados acendem o alerta para uma doença que tende a causar problemas crônicos e pode evoluir para casos graves de cirrose e câncer de fígado.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação contra hepatite B para todos os países, principalmente os que têm prevalência da doença de nível moderado a alto, como é o caso do Brasil”, explica a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo.

Ela ressalta que a falta de acompanhamento pré-natal de muitas mães é um dos pontos de vulnerabilidade do país que facilita a incidência de casos, embora não seja o único. “Temos bolsões de hepatite B no Brasil, por exemplo, na região Norte, onde boa parte da população tem dificuldades para acessar o sistema de saúde, tanto para diagnósticos como para tratamento.”

Além da transmissão na gravidez, a doença se dissemina por contato com sangue e secreções de pessoas contaminadas, portanto, é uma doença sexualmente transmissível. Mas a vacinação é a principal arma contra a hepatite e a aplicação é altamente recomendada ainda na maternidade.

Desde 1998, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, recomenda a vacinação universal das crianças contra hepatite B entre as primeiras 12h a 24h de vida. Depois, reforços são aplicados em outras vacinas combinadas do calendário vacinal infantil aos dois, quatro e seis meses de vida, segundo Eduardo Jorge da Fonseca Lima, secretário do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“Os países que instituíram a obrigatoriedade para vacina contra a hepatite B observaram redução importante dos casos de cirrose e câncer causados pelo vírus”, diz o pediatra. Ele explica que, por ser uma doença de progressão lenta, a maioria dos diagnósticos em jovens em idade produtiva entre 20 e 30 anos é resultado de transmissão durante a gravidez da mãe, o que reforça a importância da vacinação já na maternidade.

O pediatra suspeita que a queda no índice de vacinação entre bebês se agravou na pandemia devido a dificuldades operacionais ocorridas no período. “A covid-19 acabou concentrando os recursos humanos em saúde e pode ter ocasionado dificuldades operacionais para a aplicação dessa vacina nas maternidades. Houve deslocamento de funcionários que antes eram específicos para realizar a vacinação nas maternidades. E não descarto que o cenário tenha gerado também uma subnotificação das aplicações, que são computadas em um sistema informatizado.”

Já Marina Tsukumo, infectopediatra do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, destaca o impacto de movimentos antivacina, que ganharam força durante a pandemia. “O que vem acontecendo de 2016 pra cá, com todas as vacinas, é assustador. Profissionais de outros países morriam de inveja da eficácia do Brasil em vacinar a sua população. A esperança é que o novo Ministério da Saúde reverte os efeitos negativos, principalmente do governo anterior.”

Segundo ela, há outros elementos que podem ter contribuído, entre eles a disseminação do chamado “parto humanizado”, no qual as mulheres preferem dar à luz em casa e acabam não atentando aos benefícios de estar na maternidade, sendo um deles a aplicação da vacina contra hepatite B.

“Algumas pessoas adeptas de práticas naturalistas e outras que são antivax – e em muitos casos são as mesmas – escapam dessa vacinação, o que é uma pena. Temos de atender aos progressos científicos”, diz a infectologista. As informações são do jornal Valor Econômico.

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