Quarta-feira, 15 de julho de 2026

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Brasil Bolsonaro tomou para si os discursos patriota e antipetista, driblou polêmicas de aliados e voltou atrás em radicalismos

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Concorrentes apostam em paralisia do deputado nas pesquisas. (Foto: Agência Brasil)

Agosto ainda não havia chegado quando o nanico Partido Social Liberal (PSL) oficializou, em uma manhã de domingo, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro à Presidência da República. No evento, realizado em um espaço de convenções da região central do Rio de Janeiro, ele foi tratado como já costumava ser recebido nos aeroportos em suas constantes viagens pelo País: sob gritos de “mito”. Respondeu aos apoiadores com uma autoavaliação: “Sou o patinho feio desta história”.

Tentando se descolar dos pares da política tradicional, mesmo após 27 anos exercendo mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, Bolsonaro enfrentou nos últimos 73 dias a sua mais contundente campanha eleitoral. Se enfatizou o discurso antipetista, que lhe garantiu lugar em um dos polos da disputa, o candidato do PSL não abandonou o estilo conservador nos costumes. Seu maior ponto de inflexão foi vestir o figurino de liberal na economia, sustentado na parceria com o economista Paulo Guedes, um de seus “gurus”.

A combinação conservador/liberal de Bolsonaro desbotou ao longo da campanha em meio ao cabo de guerra dos interesses que envolvem uma batalha presidencial. Resiliente na liderança da disputa, ele venceu o primeiro turno com 49.276.990 votos. O candidato do PSL oscilou e recuou sobre temas como privatizações de estatais e fusões de ministérios, além de ser obrigado a desautorizar ideias lançadas pelo vice em sua chapa, o ex-general Hamilton Mourão (PRTB), como uma nova Constituição feita sem representantes eleitos, por “notáveis”, ou mudanças no 13.º salário.

Imutável, porém, foi o discurso agressivo contra o PT, simulando armas de fogo com as mãos em palanques e atacando políticos. Bolsonaro, 63 anos, só mudou o ritmo de sua cruzada após sofrer um atentado a faca na cidade de Juiz de Fora (MG), na tarde de 6 de setembro.

O ataque mudou o tom de sua campanha, que se deslocou dos encontros com multidões nas ruas para um quarto no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Nos 23 dias neste ambiente sua candidatura cresceu nas intenções de voto. Após receber alta, mas ainda em recuperação, Bolsonaro se entrincheirou em sua residência no Rio, intensificando a campanha via redes sociais.

A onda que elevou seu apoio no primeiro turno impulsionou uma bancada parlamentar do PSL que sugere provável maioria no Congresso. Dez dias depois do primeiro turno, embalado pelo desempenho nas urnas e pelas primeiras pesquisas, Bolsonaro chegou a esboçar um discurso de tolerância e moderação ao contabilizar “18 milhões de votos” de vantagem sobre o petista Fernando Haddad. Sentindo-se “com a mão na faixa presidencial”, Bolsonaro disse à época que considerava “difícil” que o adversário tirasse a diferença na urna.

Apoios

Nesse clima, Bolsonaro passou a receber em casa delegações de apoiadores, como empresários, religiosos e bancadas setoriais do Congresso Nacional, como a BBB (boi, bala e Bíblia) – todos de olho na formação de um eventual governo. Entraram em pauta nas reuniões temas como a folha de pagamento das empresas, a reforma da Previdência e até o projeto de liberação da venda de armas de fogo para civis.

Na reta final, porém, com as pesquisas apontando uma redução na vantagem sobre Haddad, o candidato do PSL voltou a centrar fogo no campo político do adversário. “Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa Pátria”, atacou Bolsonaro, retomando a retórica do combate à “petralhada” dos primeiros dias da campanha. Em discurso transmitido por celular desde sua casa para manifestantes que se encontravam na Avenida Paulista, em São Paulo, ele bateu pesado.

A retomada desse tom levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – de quem o deputado, na década de 1990, já defendeu seu fuzilamento – a se manifestar classificando a posição do presidenciável de “inacreditável”. “Um candidato à Presidência pedir às pessoas que se ajustem ao que ele pensa ou pagarão o preço: cadeia ou exílio. Lembra outros tempos”, escreveu FHC

Em uma “live” (transmissão ao vivo em rede social) na quarta-feira, Bolsonaro apertou os argumentos também com seu pessoal. Pediu a ajuda dos 52 deputados federais eleitos pelo PSL para uma mobilização nesta reta final da eleição. Ele chegou a criticar o engajamento do grupo que, em sua opinião, estava sendo “muito fraco” e aproveitou para insinuar uma dívida com ele pelas suas votações. “Parece que vocês se elegeram por mérito próprio”, ironizou.

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