Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020

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Mundo A China defende a vacina contra o coronavírus e pede cooperação do Brasil no combate ao vírus

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Prazo de entrega supera o anunciado por Doria. (Foto: Divulgação)

Questionado sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de cancelar a compra de 46 milhões de doses da vacina para o coronavírus produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, o ministério das Relações Exteriores da China defendeu a eficácia do imunizador e exortou o governo brasileiro a continuar trabalhando em parceria com o país asiático.

“Acreditamos que a cooperação relevante contribuirá para a derrota completa da epidemia na China, no Brasil e para as pessoas de todos os países do mundo”, disse o porta-voz do órgão, Zhao Lijian, em entrevista coletiva.

O representante da pasta destacou que as pesquisas clínicas chinesas estão em ‘uma posição de liderança’. Segundo ele, quatro fórmulas entraram na fase 3 dos ensaios em vários países. Zhao Lijian também reforçou o compromisso de tornar o imunizante um bem público global, a fim de contribuir para ‘disponibilidade e acessibilidade das vacinas nos países em desenvolvimento’.

Fake news

É fake mensagem que circula nas redes sociais sobre a CoronaVac que diz que a vacina de fabricação chinesa, em teste no Brasil, já deixou 2.034 voluntários mortos na China e um tetraplégico na Inglaterra.

O texto, que ataca o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), caracterizado como Adolf Hitler, numa foto manipulada digitalmente, é longo, e começa assim: “Doria impõe obrigatoriedade das vacinas para a Covid a todos os cidadãos do estado de São Paulo. Uma vacina da qual não sabemos os efeitos colaterais. Na Inglaterra, um jovem está tetraplégico; na China, dizem que houve 2.034 mortes de cobaias, por efeitos adversos”.

As duas afirmações são falsas. Nos testes feitos na China, não houve nem sequer reações graves. No país asiático, foram mais de 50 mil voluntários vacinados, sendo que 5% das pessoas tiveram apenas dor no local da aplicação, fadiga e estado febril. Os demais não apresentaram qualquer alteração. Quanto ao “jovem tetraplégico”, a falsidade é ainda maior, já que a vacina nem está sendo testada na Inglaterra, e sim na Turquia e na Indonésia, além do Brasil.

O Instituto Butantan refuta as afirmações da mensagem, frisando que no Brasil também não foram registrados efeitos colaterais graves. “É completamente inverídica a postagem que circula em redes sociais que menciona uma série de efeitos colaterais da vacina CoronaVac. Nas fases I e II dos ensaios clínicos conduzidos na China não foi registrada nenhuma morte de voluntários em decorrência do uso da vacina. Na fase III do estudo, atualmente em andamento em 7 Estados brasileiros e no Distrito Federal, não foi registrado qualquer efeito adverso grave entre os participantes”, diz a nota do instituto.

O texto que viralizou diz ainda que se trata da “primeira vacina da história da humanidade a mexer com o nosso DNA”. Só que o mecanismo dela, de estimular uma resposta de defesa do organismo por meio do coronavírus inativado, é o mesmo de imunizantes que já são conhecidos, como os que previnem hepatites e a poliomielite.

Em julho foi desmentido o conteúdo de um vídeo em que se afirmava como verdade a tese fantasiosa de que vacinas contra o novo coronavírus podiam criar seres geneticamente modificados.

O Instituto Butantan explica que “a formulação da vacina, que está sendo testada neste momento em milhares de brasileiros, utiliza técnica de inativação do vírus”. “Ou seja, contém coronavírus mortos num processo de inativação química para que apenas estimulem a proteção imunológica do organismo, sem causar a infecção. É completamente irresponsável afirmar que exista algum componente que ‘mexa com o DNA’, como diz a postagem.”

A politização da vacina fabricada pela empresa chinesa Sinovac, com o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria em campos opostos, vem fomentando o surgimento de mensagens virais com conteúdo falso. A troca de ataques entre os dois se acirrou nesta semana, e resultou na decisão do governo federal de não adquirir doses da CoronaVac para a distribuição pelo País, ainda que os testes estejam avançados, e com bons resultados.

A obrigatoriedade da vacinação é um outro ponto de discordância, com Bolsonaro afirmando que o Ministério da Saúde não fará essa determinação, e Doria dizendo que, em São Paulo, valerá a vacinação compulsória.

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