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Saúde A China recomenda a cloroquina contra o coronavírus, mas rejeita a hidroxicloroquina

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Os medicamentos não possuem eficácia comprovada contra o novo coronavírus. (Foto: Ministério da Defesa)

Nas novas diretrizes de tratamento e diagnóstico contra a Covid-19 publicadas na quarta-feira (9), a China rejeitou o uso de hidroxicloroquina para tratar a doença, mas recomendou a cloroquina, informa o jornal South China Morning Post. Os medicamentos não possuem eficácia comprovada contra o novo coronavírus.

Tradicionalmente usados contra malária, os dois remédios têm formulações diferentes, entretanto usam a mesma substância – cloroquina – e possuem benefícios clínicos parecidos. A hidroxicloroquina, no entanto, é comumente vista como mais segura por provocar menos efeitos colaterais.

“O uso da hidroxicloroquina, ou o uso em combinação com a azitromicina, não é recomendado”, publicou a Comissão Nacional de Saúde chinesa na primeira atualização das diretrizes contra o novo coronavírus desde 3 de março. Documentos anteriores não mencionavam o remédio. A publicação também acrescenta que a cloroquina pode continuar a ser administrada a pacientes da doença.

“Algumas drogas podem demonstrar algum grau de eficácia em estudos de observação clínica, mas não há antivirais efetivos confirmados por estudos duplo-cego e controlado por placebo”, afirma a comissão.

Por não apresentar benefícios contra a Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) descontinuou as pesquisas com a hidroxicloroquina em junho. No mesmo mês, a agência reguladora de drogas dos Estados Unidos, FDA, revogou a autorização para uso emergencial da cloroquina e da hidroxicloroquina.

No Brasil, estudo realizado com 667 pacientes demonstrou que a hidroxicloroquina não funciona para casos leves e moderados da doença. Ainda assim, o Ministério da Saúde liberou a administração do medicamento para todos pacientes de Covid-19. Embora já tenha admitido que não há comprovação científica dos benefícios, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua a defender o remédio no tratamento contra o novo coronavírus.

O cientista e médico Zhong Nanshan, responsável pela descoberta do coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (Sars) e referência em tratamento respiratório na China, também é um defensor da cloroquina. Em maio, Nanshan publicou uma pesquisa revisada por pares na revista científica National Science, afirmando que em testes com 197 pacientes, o remédio pareceu ter benefícios contra a doença.

Entretanto, neste estudo, os resultados foram comparados com dados históricos de outros pacientes, ao invés da comparação com um grupo randomizado que recebeu placebo, método que é considerado o padrão de ouro para testes clínicos.

Especialista em medicina respiratória da Universidade Chinesa de Hong Kong, David Hui Shu-cheong disse que a cloroquina e a hidroxicloroquina são similares, o que torna as novas diretrizes contraditórias.

“Os dois medicamentos são iguais. Três organizações já abandonaram o uso da hidroxicloroquina. Essas incluem a OMS e o estudo clínico britânico Recovery, já que testes mostraram que não há benefícios”, afirmou Hui ao South China Morning Post.

Glicocorticoides permanecem nas diretrizes de tratamento da China, mas não há referência específica à dexametasona, medicamento recomendado pela OMS e que reduziu mortes entre pacientes graves em um terço num estudo em larga escala controlado realizado pela Universidade de Oxford.

Outras drogas recomendadas na lista foram interferon e umifenovir, também ribavirina em conjunto com lopinavir ou com ritonavir.

Remdesivir, um antiviral desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead e aprovada pelos Estados Unidos, Europa e Hong Kong no tratamento de Covid-19, não está no documento atualizado.

Cientistas chineses conduziram testes duplo-cego do medicamento com número limitado de pacientes, mas não encontraram benefícios, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet em abril. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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