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Brasil A Comissão de Valores Mobiliários acusa o empresário Joesley Batista de práticas irregulares do Banco Original, de sua propriedade

Joesley Batista, ex-presidente-executivo da JBS, já foi alvo de outro processo da CVM sob acusação de ter ganho dinheiro no mercado financeiro. (Foto: Divulgação)

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) acusou na segunda-feira (27) o empresário Joesley Batista de envolvimento em operações irregulares realizadas pelo Banco Original, do grupo J&F, do qual é sócio.

O processo sancionador aberto na segunda-feira é resultado de uma investigação iniciada em abril do ano passado sobre acusação de prática não equitativa do Banco Original com derivativos de taxas de juros feitos antes de acordo de delação premiada de Joesley e outros executivos do grupo J&F.

Em nota, a J&F afirmou que “as operações de derivativos em análise são usuais e regulares, realizadas com base em critérios técnicos, dentro dos limites operacionais previamente estabelecidos e sempre dentro das normas dos órgãos reguladores”.

Joesley, ex-presidente-executivo da JBS, mais importante empresa do grupo, já foi alvo de outro processo da CVM sob acusação de ter ganho dinheiro no mercado financeiro explorando a volatilidade causada na esteira de seu acordo de delação premiada, no qual admitiu ter pago propinas a centenas de políticos.

Além de Joesley, são acusados de envolvimento a própria J&F e o executivo Emerson Loureiro, ex-presidente do Banco Original. “Agora, os acusados terão prazo para apresentarem suas defesas”, afirmou a CVM, segundo documentação à qual a Reuters teve acesso.

Bastidores

Uma passagem no início de “Why Not”, livro da jornalista Raquel Landim sobre a trajetória da JBS, empresa no centro de um intricado esquema de pagamento de propinas a políticos para garantir o apoio oficial a seus projetos de expansão, define a personalidade do personagem principal, Joesley Batista, ao descrever um episódio de infância. Dona Flora, matriarca da família, desesperou-se porque o filho desaparecera de casa. O pequeno Joesley acabou sendo encontrado dentro de um buraco. Quando questionado sobre o que fazia, disse: “Procurando petróleo”.

Trechos como esse são fruto de uma pesquisa detalhada, que começou há dois anos, no dia em que a cartada mais arriscada de Joesley foi revelada: em 17 de maio de 2017, foi divulgada a gravação que o todo-poderoso do grupo J&F – à época, dono não só da JBS, mas também da Alpargatas (dona da Havaianas) e da Eldorado Celulose, entre outros negócios – havia feito de uma conversa no Palácio do Jaburu, em visita que o então presidente Michel Temer manteve fora da agenda oficial.

A essa altura, Joesley, que ao lado do irmão Wesley, havia transformado a JBS na líder global em proteína animal, sentia-se encurralado. Pressionado pelo Ministério Público Federal, viu que sua única opção era a delação premiada. Ao concordar em contar tudo à Justiça, mas exigir imunidade total em troca, voltou a apostar alto. Seus dois objetivos eram: evitar a prisão e, ao mesmo tempo, salvar os negócios da bancarrota.

A decisão dos irmãos Batista de colaborar com o MPF, disse Raquel, partiu da observação de empreiteiros que, àquela altura, já haviam sido enredados nas investigações da Operação Lava-Jato. “Eles viram o que aconteceu com Marcelo Odebrecht, que demorou a colaborar, e resolveram se antecipar”, explicou a jornalista. Para evitar o mesmo destino, Joesley estava mais uma vez disposto a apostar quase tudo: valia até gravar o presidente.

 

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