Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de janeiro de 2020
A Dataprev deu início, nesta quarta-feira, dia 8, ao Programa de Adequação de Quadro (PAQ) da empresa, que pretende desligar 15% dos 3.360 empregados lotados em 20 filiais da empresa, localizadas nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
A previsão de encerramento das atividades operacionais dessas unidades é até o fim de fevereiro. O anúncio de privatização de 17 estatais foi feita pelo governo federal em agosto do ano passado.
A empresa está centralizando suas atividades em sete regiões consideradas estratégicas: Ceará, Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo, onde possui data centers e Unidades de Desenvolvimento.
Segundo a instituição, nos últimos anos, a Dataprev perdeu eficiência, o que fica demonstrado pelo forte desequilíbrio entre a geração de receitas, que cresceu 13% no acumulado dos últimos 3 anos, e os gastos, que avançaram 21%, num contexto de inflação (IPCA) de 10,7% no mesmo período. “Tais desafios exigem ações rápidas, que garantam a sustentabilidade da empresa e uma atuação mais eficiente e competitiva”, afirmou em seu site.
A Dataprev projeta uma economia anual de R$ 93 milhões (englobando folha de pagamentos e gastos operacionais) com o fechamento dessas unidades. O retorno previsto é de 7,6 meses. Além da readequação do quadro de pessoal, a Dataprev também está promovendo revisão de contratos, medidas de racionalidade nos gastos operacionais da empresa e ações de eficiência tributária.
Em setembro, funcionários da Dataprev do Rio de Janeiro realizaram um ato contra a privatização da empresa. Os manifestantes fizeram um abraço simbólico, dando a volta na sede da instituição, na Zona Sul do Rio. A mobilização também reuniu sindicalistas e apoiadores.
INSS
A Dataprev, empresa de tecnologia responsável pelos sistemas do INSS, informou nesta quinta-feira, 9, em nota, que o fechamento de 20 filiais em Estados não afetará “de nenhuma maneira e sob nenhum aspecto” o trabalho de adaptação dos sistemas à reforma da Previdência aprovada no ano passado.
Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o anúncio do encerramento das atividades e da demissão de 493 funcionários, feito pela empresa na quarta-feira, 8, foi mal recebido no governo. A avaliação é de que o “timing” foi péssimo, dada a demora na entrega pela Dataprev da atualização nos sistemas do INSS após a reforma.
A empresa disse ainda ter equipe de desenvolvedores “exclusiva e dedicada a implantar as adequações necessárias” e que “a complexidade das alterações demanda cuidado redobrado de todos os envolvidos no processo, para que se garanta segurança na concessão dos benefícios aos cidadãos e sejam alcançados os resultados projetados pelo governo”. Segundo a Dataprev, não há correlação entre o fechamento das unidades e o trabalho de atualização.
“Todo o processamento dos dados previdenciários ocorre nos Estados com Unidades de Desenvolvimento e Data Centers (Ceará, Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo), com suas atividades totalmente preservadas.”
“Cabe ressaltar que as unidades regionais que serão fechadas até o fim de fevereiro funcionam apenas como núcleos de atendimento ao usuário e atividades administrativas, com baixa produtividade e fora do escopo para o qual foram originalmente criadas, sendo suas atividades integralmente absorvidas pelas demais unidades”, disse a Dataprev em nota.
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