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Política A disputa presidencial não foi afetada, ao menos até o momento, pela crise política vivida pela pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, aponta pesquisa Datafolha

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O Datafolha mostra que a rejeição ao senador ficou no mesmo patamar de junho. (Foto: Reprodução de vídeo)

A disputa presidencial não foi afetada – ao menos até o momento – pela crise política vivida pela pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas semanas, aponta pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24). O levantamento revela que a distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se mantém numericamente à frente na corrida, para o filho de Jair Bolsonaro ficou estável tanto nas intenções de voto de primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno.

O cenário de estabilidade ocorre mesmo após o novo tarifaço anunciado pelo governo do presidente americano, Donald Trump, ser explorado pelo petista e a briga pública do senador do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro gerar uma divisão na base bolsonarista.

Na simulação de embate direito entre Lula e Flávio, o petista marca 48% das intenções de voto, um ponto a mais que em junho, variação dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais. Já o filho de Bolsonaro soma os mesmos 43% registrados há um mês. Em votos válidos, cálculo que exclui brancos e nulos, Lula tem 45%, ante 36% do adversário.

No resultado do primeiro turno, embora o levantamento não seja diretamente comparável ao anterior após alterações na lista de pré-candidatos, a diferença entre os dois é semelhante — oscilou de dez para oito pontos percentuais. Lula hoje atrai 40% das intenções de voto, contra 32% de Flávio.

Ambos são seguidos por um distante segundo pelotão, formado pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que tem 3%, e o ativista Renan Santos (Missão), também com 3%.

Rejeição mantida

A pesquisa do Datafolha é a primeira feita após entrar em vigor o novo tarifaço de 25% aplicado pelo governo Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, a parte dos produtos brasileiros.

A medida pautou discursos dos principais candidatos nas últimas semanas e virou uma aposta da pré-campanha de Lula para desgastar a imagem de Flávio, apontado como responsável pela taxação após atuação do clã nos Estados Unidos, estratégia que deve se manter ao longo da disputa eleitoral. O tarifaço também levou Caiado e Renan Santos a mirarem em Flávio e no entorno de Bolsonaro.

O Datafolha mostra, porém, que a rejeição ao senador ficou no mesmo patamar de junho. São 48% os eleitores que dizem não votar no filho de Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 46% afirmam o mesmo sobre o petista, índice idêntico ao do mês passado.

Diante do impacto negativo da investida de Trump, Flávio buscou recalibrar o discurso e passou a se posicionar contra o tarifaço. O senador chegou a participar nos EUA de uma audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável pela aplicação da medida, ocasião em que pediu o adiamento da sanção.

A campanha de Flávio também viveu uma crise após Michelle Bolsonaro expor publicamente, no mês passado, desentendimentos e relatar ter sido “maltratada” pelo senado. O episódio gerou mal-estar entre aliados, e levou Michelle, tida como ativo eleitoral do PL junto ao público feminino, a indicar que não se engajaria com candidatura do enteado. Quase um mês depois, uma reconciliação foi selada entre Michelle e Flávio após o presidenciável divulgar, na quinta-feira, um vídeo com um pedido de desculpas à madrasta.

No período, adversários de Flávio também investiram em associar o parlamentar ao caso Master, após virem à tona mensagens em que o filho de Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro, sob o argumento de financiar a produção de uma cinebiografia sobre seu pai. Na semana passada, o site Metrópoles também revelou que o escritório de advocacia de Flávio foi contratado por uma empresa vinculada a uma consultoria que recebeu repasses do banco.

Diante de tantas brechas, que levaram inclusive a um afastamento de partidos do Centrão, aliados da campanha do presidenciável do PL viram com otimismo o resultado da pesquisa e avaliaram que ela demonstra que Flávio se mantém competitivo no pleito. O entorno do senador entende que ainda não deu tempo de o levantamento captar os efeitos políticos da reconciliação entre o senador e Michellle. (Com informações do jornal O Globo)

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