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Economia A empresária Luiza Helena Trajano vê com preocupação a falta de alinhamento entre os Estados e o governo federal

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Empresária é a única mulher a fazer parte do top 10 da lista anual feita pela revista Forbes. (Foto: Magazine Luiza)

A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, vê com preocupação a falta de alinhamento entre Estados e governo federal e acredita que está faltando união em um dos momentos mais críticos que o Brasil está enfrentando por conta do coronavírus. A empresária participou da série de entrevistas ao vivo “Economia em Quarentena”, do jornal O Estado de S. Paulo.

Para Luiza, é preciso dar previsibilidade para que as empresas possam retomar as atividades e a população faça o isolamento de forma ordenada. Segundo ela, em meio à crise política, o governo não está conseguindo comunicar bem as ações para amenizar os efeitos da Covid-19 na economia. A questão é especialmente grave entre pequenos e médios empresários: “Uma das coisas que mais me deixaram triste nos últimos dias foi a sensação de ver que (a crise) está pegando fogo, mas que, em vez de jogar água, estão jogando mais gasolina nela.”

A empresária acha pouco provável que o presidente Jair Bolsonaro vá conseguir chegar a um acordo com os governadores no combate ao coronavírus. “Mas sinto que os governadores agora têm de tomar uma medida. Como o Brasil é muito grande, os governadores e prefeitos têm de definir.”

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

– Estamos há 50 dias em quarentena. A sra. conversa muito com empreendedores. Existe como a economia aguentar mais muito tempo de fechamento parcial? “Não se tem agora como se discutir se o (isolamento) horizontal ou vertical é o melhor caminho. O que tem que se discutir é a previsibilidade dessa retomada, até para as pessoas respeitarem o que for acordado. Sem regras claras, as pessoas não obedecem ao isolamento, não usam máscaras. Falei com o pessoal do BNDES para perguntar por que o dinheiro não está chegando às pequenas empresas. Não estou discutindo se uma ou outra medida é melhor porque isso não adianta. Mas tem de se tomar decisão. Porque senão as empresas não vão conseguir segurar os empregos.”

– Vimos muitas declarações antagônicas. Isso atrapalha muito? “Eu estou fazendo o papel de líder cidadã e ajudando a divulgar as medidas do governo, que eu achei boas. Uma das coisas que mais me deixaram triste nos últimos dias foi a sensação de ver que (o País) está pegando fogo, mas que, em vez de jogar água, estão jogando gasolina com essas discussões todas. Tem de unir todo mundo, independentemente de partido. Não sinto que há uma grande união. Mas sinto que os governadores agora têm de tomar uma medida. Como o Brasil é muito grande, os governadores e prefeitos têm de definir. Não acredito que se vá entrar num acordo entre os governadores e presidente. E como ninguém está comunicando claramente, as pessoas estão indo para as ruas, as lojas de bairros estão abrindo, muitas vezes de forma errada. A falta de comunicação é séria e a falta de união é muito triste.”

– Quais medidas o grupo Magazine Luiza vem tomando para amenizar a crise? “Estou no conselho hoje e fui executiva por muito tempo. Brinco que era executiva da crise. Mas o que eu vivi lá atrás era 20% do que era essa crise, essa é a pior que eu já vi. Fiquei muito satisfeita com o nosso time porque eles se uniram para valer para se adaptar a essa realidade. Se o Brasil não está bem, nós não estamos bem. Cada vez mais, o consumidor está exigindo que a empresa tenha um compromisso. Nossa equipe agiu rapidamente para ver o que o nosso marketplace poderia fazer para ajudar. Em 8 dias eles tiraram da gaveta um projeto que já existia, o “Magazine e Você” e criaram o “Parceiro Magalu”, com regras bem mais simples de adesão. Em uma semana, tivemos a entrada de 160 mil trabalhadores autônomos, que passaram a vender nossos produtos, e de 15 mil empresas.”

– Como o grupo vem trabalhando a questão da saúde? Como acompanha os casos de coronavírus no País? “Temos um comitê técnico de saúde. Usamos as nossas próprias estatísticas para definir se vamos reabrir as lojas mesmo depois da autorização das prefeituras, sabemos a situação das infecções e da ocupação dos hospitais. Com base dos nossos dados, percebemos que não poderíamos abrir as lojas de Belém, apesar da autorização da prefeitura. O mesmo aconteceu em Florianópolis. E temos o desafio de não perder nenhum funcionário e ninguém da família deles. Como eu ouvi em uma live em que participei esses dias: ‘CPF você não consegue outro, já o CNPJ você pode fazer outro se quebrar’.”

– Ou seja, abrir para depois fechar é péssimo… “Para isso não acontecer, temos de nos unir na comunicação. Se as pessoas não usarem as máscaras, não lavarem as mãos e se as lojas não respeitarem a distância, vai ser pior. A gente está evitando fazer uma coisa que a gente adora, que é fazer promoção para evitar montoeira na loja. Enquanto não mudar a realidade, não tem como, precisamos evitar aglomerações.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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