Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de novembro de 2018
Encerrada a primeira semana de funcionamento dos grupos de transição de governo, começa a ganhar um contorno mais definitivo o organograma da área de infraestrutura da gestão de Jair Bolsonaro, que assume o comando do Executivo federal em janeiro. Ao que tudo indica nas discussões até agora, o setor terá dois ministérios.
A pasta da Infraestrutura reunirá o Ministério dos Transportes, as principais frentes do Ministério das Cidades – em especial saneamento básico e habitação, além das secretarias de Aviação Civil e Portos. Já a do Ministério de Minas e Energia deve ser mantida, em razão do entendimento de que é responsável por assuntos sensíveis ao País.
Até o momento, a indefinição se dá sobre quem serão os ministros. O general da reserva do Exército Oswaldo Ferreira comanda o grupo de infraestrutura na transição, função que desempenhou também durante a campanha eleitoral. Nas últimas semanas da disputa presidencial, ele assumiu uma coordenação mais geral dos assuntos discutidos pela equipe de apoio ao então presidenciável Jair Bolsonaro.
Ferreira será ou o ministro de Infraestrutura ou um ministro a quem se reportarão os ministros de Infraestrutura e de Minas e Energia. Neste segundo cenário, o general despacharia de dentro do Palácio do Planalto, algo desejado por Bolsonaro. Este arranjo esbarra, no entanto, na necessidade de se criar um novo ministério, o que dificulta o cumprimento da promessa do presidente eleito de reduzir os ministérios a pouco mais da metade.
Também passará por Ferreira a indicação do nome que estará à frente do Ministério de Minas e Energia. O mais provável é que não seja um militar no comando da pasta. O nome em discussão passará ainda pelo crivo do vice-presidente eleito, general Antônio Hamilton Mourão. Um nome de peso para o ministério será discutido neste fim de semana. No Ministério de Infraestrutura, pelo menos um general deve ser colocado em algum posto de relevância.
Estatais
O destino do comando de estatais, como a Petrobras, ainda não foi discutido a fundo nos grupos de transição, passados esses cinco primeiros dias de funcionamento efetivo dos grupos. Uma hipótese é a permanência do atual presidente, Ivan Monteiro. O grupo de transição relacionado a assuntos de infraestrutura ainda vai se debruçar sobre os destinos de estatais como Eletrobras, Valec (que cuida de ferrovias), EPL (Empresa de Planejamento e Logística) e EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
As reuniões ao longo da semana tiveram um caráter mais técnico. Toda a tarde desta sexta-feira, por exemplo, foi dedicada a uma radiografia da Telebras. Técnicos da estatal apresentaram à equipe de Bolsonaro um diagnóstico da empresa, com entrega de dados que são considerados sigilosos pelos técnicos, por envolver informações que podem impactar no mercado de ações — a empresa tem o capital aberto. O anunciado ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, quer extinguir ou privatizar boa parte das estatais brasileiras, entre elas a Telebras.
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