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Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2015
O corporativismo de parlamentares, o baixo índice de popularidade do governo e o chamado “antipetismo” são as apostas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para se manter na Presidência da Câmara, mesmo denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), na quinta-feira, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.
Segundo fontes ligadas ao político carioca, essa estratégia também considera a proximidade dos pleitos municipais de 2016. “Em minha base eleitoral ainda não se vê nenhum desgaste pelo fato de eu estar ao lado de Cunha”, disse à Folha de S.Paulo um deputado que prefere não se identificar. “Pelo contrário, tem sido visto de forma positiva essa posição dele de confronto ao governo.”
O peemedebista mantém influência sobre uma bancada multipartidária que abrange PSDB, DEM, PP, PTB, PR, PSD, PSC e boa parte do PMDB. Há um trunfo adicional: o avanço da pauta conservadora na Câmara, por meio das bancadas ruralista, da segurança e evangélica. Cunha é membro da Assembleia de Deus.
Corporativismo
As repercussões da Operação Lava-Jato poderão ir além dos 35 deputados e senadores hoje investigados. Assim, os temores tendem a reforçar o corporativismo entre colegas, com apoios a Cunha por questões de sobrevivência política.
Essa ideia prevalece entre a cúpula do PMDB, que não deverá tomar iniciativas para expulsão. “O partido não tem histórico de agir dessa forma e Cunha terá espaço para se defender”, ressaltou Moreira Franco, presidente da Fundação Ulysses Guimarães.
Já a bancada do PT demonstra estar dividida sobre o afastamento de Cunha, de quem tem sido alvo de fortes ataques. Embora deputados como Henrique Fontana (RS) defendam a saída imediata do adversário, não há unanimidade na sigla. “Não acho que seja caso de afastamento”, disse o deputado José Mentor (SP), também alvo da Lava-Jato. “É uma acusação a ser respondida.” (AE)