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Mundo A falta de água potável aumentou os casos de febre tifoide e hepatite na Venezuela

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Maduro atribui os inúmeros problemas da Venezuela à "sabotagem" da oposição e de apoiadores dos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)

Jakeline Moncada tinha fé que as reservas de sua casa aguentariam até que o serviço de água na Venezuela fosse restabelecido. Mas dois blecautes nacionais e agora o racionamento de eletricidade impediram que a água fluísse para uma grande parte desse país sul-americano. As informações são do jornal The Washington Post.

Depois de 15 dias sem uma gota de água na torneira, a mãe de três filhos, de 43 anos, estava ao lado de um córrego no leste de Caracas nesta semana, vendo seu filho adolescente descer desajeitadamente um barranco enlameado, de jeans e tênis, para conseguir água que sua família pudesse usar para beber, cozinhar e tomar banho.

“É tão injusto”, disse Moncada. “Somos um país muito rico, não é justo que isso esteja acontecendo.” “Minha filha me perguntou recentemente: ‘Por que você está chorando, mami?'”

Primeiro era dinheiro. Depois comida. Depois eletricidade. E agora água. Para milhões de pessoas neste país rico em petróleo, a interrupção dos serviços básicos reduziu a vida a uma luta cotidiana para suprir as necessidades fundamentais – e segundo muitos, conforme a escassez se alastra, está cada dia mais difícil. As crianças estão subnutridas, os médicos veem o aumento das doenças infecciosas, milhões de pessoas fugiram do país.

O ditador Nicolás Maduro atribui os inúmeros problemas da Venezuela à sabotagem da oposição e seus apoiadores dos Estados Unidos, destinada a desestabilizar seu governo. A oposição e autoridades americanas culpam anos de má administração e corrupção sob Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez.

Os lados estão travados em um impasse político desde janeiro, quando Maduro reivindicou um segundo mandato como presidente depois de eleições amplamente consideradas fraudulentas e o líder de oposição, Juan Guaidó, reagiu declarando-se presidente interino. Guaidó, reconhecido pelos Estados Unidos e por mais de 50 países como o líder de direito da Venezuela, vem comandando manifestações de massa em todo o país, pedindo a renúncia de Maduro.

Apanhados no meio estão os venezuelanos comuns, de todas as classes sociais. Analistas dizem que 20 milhões de pessoas – dois terços da população – sofreram escassez ou ficaram totalmente sem água nas últimas duas semanas.

A falta de água tirou as pessoas de suas casas para as ruas, em busca de qualquer fonte, potável ou não. Adultos e crianças carregam garrafas vazias e baldes por ruas íngremes nas favelas e atravessam rodovias perigosas para chegar a fontes públicas, riachos lamacentos e poços urbanos que cheiram a esgoto.

A doutora Maria Eugenia Landaeta, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital Universitário de Caracas, disse que os médicos estão vendo aumentos nos casos de diarreia, febre tifoide e hepatite A.

O país já enfrenta a fome, desnutrição e falta de remédios e suprimentos médicos. Quanto mais tempo os venezuelanos ficarem sem acesso à água limpa, disse Landaeta, maior a probabilidade de infecção gastrointestinal e bacteriana.

O hospital de Landaeta passou meses sem água ou energia regulares. Ele contou com cisternas e geradores. “Tivemos muitos casos de infecção pós-parto em mulheres por causa da péssima higiene e uso de água não esterilizada”, disse Landaeta.

Caracas, cidade de 2 milhões de habitantes, fica em um vale a cerca de 900 metros acima do nível do mar. O sistema público de água conta com uma série de bombas que exigem quantidades enormes de energia. Sem eletricidade, a água não corre.

Protestos contra a falta de água em Caracas e no campo no último fim de semana atraíram reações armadas da polícia e de grupos paramilitares pró-governo. Duas pessoas foram atingidas por tiros no domingo (31) no centro de Caracas, segundo a mídia local. Repórteres e organizações não governamentais disseram que a temida Força de Ações Especiais do governo abriu fogo contra manifestantes no oeste de Caracas e dispararam contra apartamentos em bairros que protestaram.

Maduro condenou a violência e disse aos venezuelanos para se endurecerem enquanto o governo trabalha para restaurar o sistema.

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