Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Fair

Brasil A greve dos caminhoneiros já afetou os setores de transportes, de alimentação e de fábricas

Compartilhe esta notícia:

Os caminhoneiros protestam contra o aumento do preço do diesel em diversos Estados brasileiros. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No segundo dia de paralisação dos caminhoneiros, que protestam contra a alta dos preços do óleo diesel, o movimento teve a adesão de mais profissionais e o número de interdições somente em rodovias federais chegou a 275 pontos nesta terça-feira (22), segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) a adesão ao protesto subiu de 200 mil para mais de 300 mil profissionais. O aumento das adesões e dos os pontos de interdição começou a afetar o abastecimento e o funcionamento do setor de alimentos, transportes e das empresas. As informações são do jornal O Globo.

O aeroporto de Brasília é um dos que correm o risco de enfrentar problemas de falta de combustível (querosene de aviação) por causa da paralisação. Segundo a Inframérica, que administra o aeroporto, a reserva de combustível já está sendo usada, com contingenciamento no fornecimento, e pode acabar ainda nesta terça-feira se a situação não for normalizada. A frota de caminhões que abastece o terminal está parada no Entorno do Distrito Federal, em Luziânia.

Em nota, a Inframérica informou que já notificou às companhias aéreas que operam no aeroportos sobre a restrição de combustível no aeroporto da capital. As aeronaves devem pousar com combustível suficiente para outros destinos. A concessionária destaca ainda que está tomando medidas para garantir a segurança e minimizar os problemas para os usuários. Os passageiros devem procurar as empresas para saber informações dos voos.

Não só os aeroportos podem ficar sem diesel. A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor) informou que a greve também está afetando o abastecimento das empresas de transporte público de ônibus em todo o Estado. O bloqueio montado em rodovias e terminais de distribuição de combustíveis impede, segundo a federação, a renovação dos estoques das empresas, que na maioria dos casos acontece diariamente.

Fetranspor afirma ainda que já há empresas de transporte que estão com as operações limitadas, afetando os passageiros. De acordo com a federação, o racionamento de combustível foi adotado em caráter emergencial até a normalização da distribuição de óleo diesel e que se as manifestações não forem encerradas, há o risco de paralisação de todas as empresas.

O MetrôRio, por sua vez, informa que, em razão da redução da circulação dos ônibus, reforçará, a partir desta quarta-feira, as equipes em operação nas 41 estações a fim de assegurar a agilidade no atendimento e a segurança no transporte dos clientes.

Por meio de nota divulgada na tarde desta terça-feira, o Sistema Firjan manifestou sua preocupação com a paralisação e alertou para o risco de desabastecimento. Para a Federação, a situação se mostra ainda mais grave no caso da indústria fluminense, já que “a crise econômica levou as empresas a trabalharem com estoques muito reduzidos e qualquer paralisação no transporte leva rapidamente ao desabastecimento”.

General Motors informou que os bloqueios já comprometem o fluxo de distribuição de componentes (autopeças) em suas unidades, que tiveram de paralisar a produção. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) informou também já ter problemas.

“Todo o nosso setor de matérias primas vivas (boi, suíno, aves), e leite e o abastecimento em geral está sendo muito afetado”, disse o presidente-executivo das duas entidades, Péricles Salazar, acrescentando: “Nós estamos recebendo inúmeras queixas de caminhões transportando nossos produtos que são perecíveis e estão parados em várias regiões do país.”

No início da noite, a Aurora Alimentos informou que paralisará totalmente as atividades das suas unidades de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (inicialmente), na quinta e sexta-feira, por causa da greve que atinge o setor de transportes nas regiões onde estão instaladas as suas fábricas.

“A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo”, disse a Aurora em nota.

A paralisação também afeta a movimentação nos portos. As assessorias de imprensa dos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), os principais canais de exportação da safra agrícola do Brasil, informaram à Reuters que há manifestações nas entradas de ambos os terminais, e por isso muitos caminhões nem estão se dirigindo aos locais em razão dos protestos.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

A prisão do ex-presidente do PSDB aumenta o fardo da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República e enterra o discurso de que o PSDB é diferente dos outros partidos
Jô Soares será comentarista da Copa do Mundo pela Fox Sports
Deixe seu comentário
Pode te interessar