Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

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Brasil A guerrilha colombiana explora ouro ilegalmente perto da fronteira do Brasil

Pacaraima (RR), cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ELN (Exército de Libertação Nacional), maior guerrilha em atuação na América Latina depois de as conterrâneas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) se desmobilizarem e se tornarem um partido político, atua na exploração ilegal de ouro na Venezuela, a 250 quilômetros da fronteira com o Brasil. O negócio paralelo resulta em transporte do minério — ou do dinheiro associado a ele — ao território brasileiro, em ritmo frenético e à margem de fiscalização. As informações são do jornal O Globo.

Criado nos anos 1960 sob inspiração da Revolução Cubana, o ELN também iniciou negociações de paz com Bogotá, mas elas não prosperaram. Seus membros atravessaram a fronteira com a Venezuela e avançaram país adentro, chegando até a região de mineração em Bolívar. É o estado que faz fronteira com Roraima, rota dos milhares de imigrantes venezuelanos que decidiram deixar seu país e tentar a vida no Brasil.

A reportagem confirmou a informação sobre a presença do ELN no arco de mineração em Bolívar com 12 fontes distintas. O PF (Exército brasileiro e a Polícia Federal) têm informações reservadas sobre a atuação do ELN na região de Las Claritas, uma cidade dominada pela mineração ilegal, a 250 quilômetros — ou três horas e meia de carro — de Pacaraima (RR), cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Um desertor de um órgão de espionagem do governo de Nicolás Maduro, abrigado em Pacaraima, disse à reportagem que esteve na região e que presenciou a atuação do grupo guerrilheiro. O mesmo relato foi feito por garimpeiros brasileiros que extraíram ouro no local e por empresários de Roraima que enriqueceram com a exploração ilegal do minério.

Interesse pelo Brasil

Três instituições independentes de pesquisa, que mapearam a penetração do ELN na Venezuela, incluíram nesses mapas o arco de mineração em Bolívar. Dois pesquisadores independentes, de outros institutos, chegaram à mesma conclusão, assim como o Ministério Público da Colômbia e a alta cúpula das Forças Armadas daquele país.

Além de Las Claritas, guerrilheiros exercem influência em outras cidades dependentes do ouro ilegal, como El Callao, a 434 quilômetros de Pacaraima; Tumeremo, a 395 quilômetros; e El Dorado, a 333 quilômetros da cidade brasileira. O respaldo do regime de Maduro à atuação do ELN é apontado tanto pelo governo colombiano quanto por venezuelanos que passaram pela região. A Venezuela estaria cada vez mais dependente do ouro extraído desses lugares, diante da crise econômica aguda e das sanções comerciais e financeiras dos Estados Unidos.

Cerca de mil guerrilheiros do ELN estão na Venezuela e outros 1.400 na Colômbia, de acordo com as Forças Armadas colombianas. Outras autoridades do país mencionam números maiores: 4 mil na Venezuela e 2 mil na Colômbia.

Os garimpos no arco de mineração em Bolívar têm grandes dimensões, são marcados por uma violência sem controle e por conflitos com outros grupos armados — conhecidos como “sindicatos” pelos garimpeiros. Diversos brasileiros garimpam na região.

Os governos do Brasil e da Colômbia dividem-se quanto à possibilidade de integrantes do ELN terem chegado ao território brasileiro. Segundo o Itamaraty e o Ministério da Defesa, apesar da relativa proximidade, o grupo armado não chegou a ultrapassar a fronteira nem há um fluxo de integrantes ou ex-integrantes da guerrilha na explosão migratória que atingiu Roraima. Militares na região não têm conhecimento de nenhum guerrilheiro ou ex-guerrilheiro que tenham passado por Pacaraima.

“Não há registro de atuação do ELN em nosso território nacional”, afirmou o Ministério da Defesa. “A situação atual de operação da embaixada brasileira em Caracas, com limitações de acesso ao interior do país, dificulta a obtenção de informações detalhadas. Não temos registro, até o momento, de atuação ostensiva do grupo próxima à fronteira brasileira”, disse o Itamaraty.

Na contramão da posição oficial brasileira, o governo colombiano diz que há, sim, guerrilheiros do ELN entrando e saindo do País. O comandante-geral das Forças Militares da Colômbia, general Luis Fernando Navarro, disse que há interesse do grupo pelo Brasil.

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