Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Wesley Dorly | 26 de agosto de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
A história do progresso humano é marcada por tecnologias que alteram não apenas o que fazemos, mas quem pode fazer. Quando a eletricidade deixou os laboratórios para iluminar as cidades, houve quem temesse choques, preferindo o conforto das velas. Vivemos uma transição semelhante e mais profunda com a inteligência artificial. Mais do que uma simples ferramenta de produtividade, a IA está se tornando uma grande ferramenta da autonomia individual, inaugurando uma nova e fascinante geração de polímatas.
Durante décadas, existiu um abismo entre o que era planejado na mente de um criador e o que os especialistas conseguiam executar, muitas vezes limitado por custos altos ou pela falta de interesse econômico em larga escala. Quantos softwares úteis, filmes autorais ou livros nichados nunca viram a luz do dia simplesmente porque o mercado os julgava inviáveis economicamente? A inteligência artificial altera essa forma de pensar. Agora, quem idealiza pode ditar o direcionamento exato do que deve ser feito através do prompt, tornando as obras artísticas e técnicas mais fiéis à visão de seus verdadeiros autores.
Essa descentralização do poder criativo diminui barreiras em campos antes complexos. Indivíduos já conseguem programar seus próprios aplicativos sob medida, desenvolver projetos eletrônicos complexos, como a criação de suas
próprias placas de circuito impresso, e modelar objetos 3D para jogos ou impressoras 3D. Na engenharia, a capacidade de rodar milhares de testes em pouquíssimo tempo e pedir para a IA emular, simplificar e expandir a eficiência de motores ou peças mecânicas abre espaço para uma economia de recursos sem precedentes.
Estamos diante da necessidade quase natural de cunhar um novo termo para descrever esses profissionais: os polímatas da era da IA. A iniciativa, a visão estratégica e a curadoria ganham muito mais valor do que a capacidade técnica pura, já que a execução braçal passa a ser mediada pela máquina. A criatividade humana ganha asas para explorar novas vertentes musicais, estilos visuais e formatos que jamais existiriam sob as antigas regras da indústria.
Até mesmo as barreiras linguísticas estão com os dias contados. Não precisaremos mais de legendas, pois a inteligência artificial será capaz de realizar dublagens automáticas, utilizando as vozes originais dos atores como base para uma experiência de consumo superior e natural. Toda grande revolução desperta resistência. Há quem enxergue ameaças profissionais onde há, na verdade, uma expansão de horizontes. Essa relutância humana à mudança costuma ser passageira. A inteligência artificial funciona como a eletricidade: o medo inicial do choque cede lugar ao uso cotidiano, e quem insistir em rejeitar o progresso acabará, voluntariamente, ficando no escuro.
A quantidade de inovações, soluções engenhosas e projetos audaciosos que surgirão nas próximas décadas é impressionante, desde que a sociedade e a indústria superem os desafios reais relacionados ao consumo de água, ao poder computacional e à infraestrutura. Mais do que entregar ferramentas rápidas, a IA está devolvendo às pessoas a confiança para apresentar ideias antes engavetadas. As soluções do futuro já não pertencem exclusivamente a grandes empresas; elas estão prestes a nascer da imaginação de qualquer indivíduo disposto a criar.
* Wesley Dorly, morador de Porto Alegre
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!