Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de outubro de 2020
O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, impôs novas restrições para festas, esportes coletivos, atividades escolares e para o funcionamento de restaurantes e bares. Similares às adotadas por outros países europeus, as medidas têm por fim conter a segunda onda da covid-19 que, apesar de menos letal que a primeira, cria preocupações no continente.
Publicado após dias de especulações e rascunhos, o decreto governamental começou a valer nesta terça-feira (13) e terá validade de ao menos 30 dias, até 13 de novembro. Ele proíbe festas em restaurantes, boates ou ao ar livre e “recomenda fortemente” que as pessoas não realizem festas em casa ou recebam mais de seis convidados de uma só vez.
Além disso, o governo determinou que, após as 21h, bares e restaurantes só poderão servir clientes que estiverem sentados em suas mesas, em uma medida para tentar coibir as aglomerações durante a movida, palavra espanhola que acabou incorporada ao léxico italiano como sinônimo de vida noturna e happy hour. Os estabelecimentos deverão fechar suas portas à meia-noite.
Excursões escolares e competições esportivas amadoras que tenham contato físico também ficarão vetadas pelo próximo mês, enquanto casamentos e outras cerimônias deverão ser limitadas a um público máximo de 30 pessoas. Na Itália, o uso de máscaras já é compulsório em todos os espaços públicos, mas a partir de agora será recomendado também toda vez que uma pessoa que não seja da família entrar em uma casa.
A ação do governo italiano busca cessar as grandes aglomerações registradas ao redor de bares, em parte responsáveis pela alta de casos que o país vem vivenciando. Na semana passada, as novas infecções dobraram, ultrapassando 5 mil na sexta-feira (9) pela primeira vez desde março. No sábado (10), chegaram perto de 6 mil.
As mortes também crescem, mas em intensidade significativamente menor. Na segunda (12), 39 pessoas morreram no país em decorrência da doença — uma fração das mais de 900 mortes diárias que chegaram a ser registradas em maio. A diferença ocorre, em parte, devido ao maior número de testes aplicados e ao melhor tratamento para a doença.
A principal preocupação do governo diz respeito ao aumento dos casos ativos, que descartam mortos e curados e chegaram a 82.764 na última segunda, maior número desde 10 de maio, ainda antes do fim da quarentena. Desse total, 452 estão internados em centros de terapia intensiva, a maior cifra desde 29 de maio.
Segunda onda na Europa
Epicentro global da pandemia em março, a Itália tem hoje uma média móvel de 14 dias de 79,9 casos por 100 mil habitantes, cenário consideravelmente melhor que o de outros países europeus. O bloco, como um todo, registrou 700 mil novas infecções pela covid-19 na semana passada, o maior número desde que a pandemia começou. Ainda assim, as autoridades resistem à reimposição de quarentenas, por causa de seus impactos econômicos, optando por restrições parciais e localizadas.
Buscado unificar as medidas adotadas por cada país para frear a pandemia, os chanceleres europeus adotaram nesta terça uma política comum para coordenar as restrições de viagem dentro do bloco. De caráter voluntário, o plano prevê que o Centro de Prevenção e Doenças da Europa publique semanalmente um mapa com a situação nos países, seguindo um código de três cores, verde, laranja e vermelho.
A classificação diz respeito ao número de novas infecções por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Viajantes originários de uma área vermelha ou laranja poderão ser obrigados a realizar quarentena ou testes obrigatórios. Mudanças nas restrições, as regras preveem, deverão ser anunciadas com ao menos 48 horas de antecedência.
A República Tcheca é o país que lida hoje com o pior cenário, com uma média móvel em 14 dias de 521,5 casos por 100 mil habitantes. Tentando conter o contágio, o governo baniu o consumo de álcool em público, limitou aglomerações a céu aberto para grupos de até seis pessoas e fechou escolas, restaurantes e bares até o início de novembro.
Já a Bélgica, que vê uma média móvel de 14 dias de 429,5 novos casos diários por 100 mil habitantes, anunciou na semana passada que reuniões privadas deverão ser limitadas a quatro pessoas e que cafés e bares deverão fechar às 23h e só atender quatro pessoas por mesa. Em Bruxelas, os estabelecimentos permanecerão fechados por um mês.
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