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Celebridades A novelista Gloria Perez criticou a série da Globo sobre o goleiro Bruno

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Autora usou rede social para expor opinião sobre atração que abordaria assassinato de Eliza Samudio. (Foto: Reprodução/Twitter)

Gloria Perez, autora de diversas novelas da Globo, usou seu Twitter na noite de quarta-feira, 8, para criticar a possível produção de uma série sobre o assassinato de Eliza Samudio, crime pelo qual o goleiro Bruno, ex-jogador do Flamengo, foi condenado.

“Oi? Só pode ser piada! E de mau gosto!”, escreveu a autora em resposta a uma reportagem indicando planos da emissora.

Em entrevista ao Estado no último dia 16 de dezembro, a diretora Amora Mautner foi questionada se teme, de alguma forma, que a produção da série sobre o goleiro Bruno acabe por “glamourizar” a figura de um criminoso.

“Penso muito para não passar nenhuma ideia errada. Tomo um cuidado extremo com isso”, afirmou.

A Globo deu a seguinte resposta por meio de sua assessoria: “Compramos o direito, não só deste livro [sobre o caso envolvendo o goleiro Bruno], mas de vários outros casos, pois existe o desejo de fazermos uma série sobre crimes. Não há, no entanto, nada desenvolvido, escrito, nem aprovado sobre nenhum dos casos possíveis”.

Jornalista

A jornalista Jessica Senra, apresentadora da TV Bahia, filial da Globo, viralizou nas redes sociais na última semana quando fez um desabafo maravilhoso sobre por que discorda da contratação do goleiro Bruno – condenado por matar a mãe do filho dele – pelo time Fluminense de Feira de Santana.

Após noticiar a possibilidade do contrato, a profissional explicou que acredita na necessidade de pessoas que já cumpriram a pena refazerem a vida, mas ponderou julgar imoral a contratação por um time de futebol que eleva o ex-preso à categoria de “ídolo”.

“Desejamos e precisamos que pessoas que cometem crimes tenham a possibilidade de refazer suas vidas, mas diante de um crime tão bárbaro, tão cruel, poderíamos tolerar que o feminicida Bruno voltasse à posição de ídolo? Que mensagem mandaríamos à sociedade?”, questionou ela ao vivo no programa “Bahia Meio Dia”.

“Atletas são referências. Contratar para um time de futebol um assassino, um homem que mandou matar a mãe do seu filho, esquartejar, dar o corpo para os cachorros comerem é um desrespeito a nós mulheres. É um desrespeito a todas as crianças e adultos que cresceram sem mãe por causa de homens desprezíveis que tiraram a vida de mulheres. É um desrespeito a toda a sociedade. E mais: colabora com a ideia de que matar mulheres é permitido desde que você cumpra sua pena, ou parte dela, como é o caso de Bruno”, continuou Jessica, acrescentando argumentos sociológicos sobre o exemplo que isso dá para outros homens.

“Na minha visão, o feminicida Bruno pode e deve voltar a trabalhar e refazer sua vida, mas não numa posição de ídolo. Não alçado socialmente a uma posição de admiração. Um time de futebol que contrata um feminicida como Bruno é tão desprezível quanto os crimes que ele cometeu”, finalizou ela.

Mais tarde, Senra compartilhou seu próprio desabafo no Instagram e acrescentou um novo texto, falando sobre perdão. “Eu acredito na recuperação do ser humano. Acredito que a maioria das pessoas merece outras chances depois que comete erros, porque errar é da essência humana. O perdão é um dos sentimentos mais belos que podemos cultivar. Mas perdoar alguém não significa esquecer o que esse alguém fez nem permitir que esse alguém continue em nossa vida. Perdoar e dar uma nova chance não apaga o que foi feito, não se pode fingir que nada aconteceu”, armou ela.

Por fim, a apresentadora comparou outro caso recente, que não teve nenhuma ilegalidade, mas foi intolerado por algumas torcidas e times. “Lembro que há pouco mais de dois anos, jogadores foram flagrados num vídeo masturbando uns aos outros no vestiário de um clube gaúcho. Os quatro jogadores foram dispensados. Seus nomes, inclusive, foram poupados para evitar que eles fossem banidos do futebol. E é bom que que bem claro: eles não cometeram crime algum, não fizeram nada contra a vontade de ninguém! Mas, absurdamente, a homossexualidade ainda é intolerável no futebol. Ser feminicida é aceitável? O que você pensa disso? #NãoAoFeminicídio”, finalizou ela.

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