Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de abril de 2020
O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) expressou preocupação nesta segunda-feira (27) com mais de uma dezena de países que declararam estados de emergência devido à pandemia de Covid-19 onde a polícia prendeu ou deteve centenas de milhares de pessoas e matou outras.
“Poderes de emergência não deveriam ser uma arma que governos podem brandir para sufocar a dissidência, controlar a população e até se perpetuar no poder”, disse a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, em um comunicado que denunciou ataques a tiros e detenções, sem entrar em detalhes.
Uma autoridade graduada de seu escritório disse que cerca de 80 países declararam emergências devido ao novo coronavírus, incluindo 15 nos quais a alegações foram consideradas mais perturbadoras.
São eles Nigéria, Quênia, África do Sul, Filipinas, Sri Lanka, El Salvador, República Dominicana, Peru, Honduras, Jordânia, Marrocos, Camboja, Uzbequistão, Irã e Hungria.
Mas Georgette Gagnon, diretora de operações de campo, acrescentou em um briefing virtual em Genebra que “provavelmente há várias dúzias mais que poderíamos ter ressaltado”.
“Uma grande preocupação em relação às medidas de emergência excepcionais é o que tem sido descrito como uma cultura de isolamento tóxica em alguns países”, disse Gagnon. “Como a Alta Comissária ressaltou, a polícia e outras forças de segurança estão usando força excessiva e às vezes letal para impor isolamentos e toques de recolher”.
Algumas destas nações prenderam ou detiveram centenas de milhares de pessoas por violarem medidas de confinamento ligadas à pandemia – as Filipinas encabeçam a lista com 120 mil apreensões por violações do toque de recolher nos últimos 30 dias.
Violência contra mulheres
Situações emergenciais como a provocada pela atual pandemia da COVID-19, em que alguns países impuseram medidas de quarentena e de distanciamento social, podem aumentar o risco de violência contra mulheres e meninas por parte do parceiro íntimo. O alerta foi feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
“Nesses casos, ficar em casa não é o mais seguro, já que o lar é frequentemente onde há risco de homicídio, abuso físico, sexual, psicológico, econômico, negligência e controle coercitivo”, diz a ONU. As informações são da agência de notícias Reuters e da ONU.
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