Quarta-feira, 03 de Junho de 2020

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Notícias A Polícia Civil desarticulou uma organização criminosa que extorquia comerciantes, camelôs e prostitutas no Centro Histórico de Porto Alegre

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O excludente de ilicitude trata de possibilidades em que o crime é excluído mesmo quando atos ilícitos são cometidos. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

No início da manhã dessa sexta-feira, a Polícia Civil gaúcha deflagrou no Centro Histórico de Porto Alegre a operação “Toll”, a fim de desarticular uma organização criminosa que tem praticado a extorsão de empresários, camelôs e garotas de programa da região. Foram presas preventivamente ao menos nove pessoas e apreendidos veículos de luxo, armas e drogas.

Conforme o delegado Juliano Ferreira, titular da 17ª DP (Delegacia de Polícia) da Capital, a obtenção de dinheiro mediante ameaça começou há cerca de dois anos. De alguns meses para cá, o bando – ligado a uma das principais e mais violentas facções da capital gaúcha e que passou a ser alvo de escutas autorizadas pela Justiça – passou a agir de forma mais ousada, achacando “pedágios” do comércio regular, traficando drogas e promovendo ações de intimidação.

“Integrantes do esquema foram responsáveis, no dia 22 de maio, por um incêndio criminoso na Galeria Malcon (com acessos pela Rua da Praia e Vigário José Inácio), uma das mais tradicionais da cidade”, explica Ferreira. O ataque, cometido por dois indivíduos e flagrado por câmeras internas de vigilância, foi cometido em represália à instalação de uma guarita no térreo, onde um segurança fazia a identificação dos frequentadores do prédio.

O esquema de segurança acabou afastando clientes das profissionais do sexo que trabalham em salas no conjunto comercial e que são (ou ao menos eram) obrigadas a também entregar, cada uma, cerca de R$ 20 por semana à organização. Assim, a dupla foi enviada ao local, onde obrigou o vigia a deixar o seu posto e colocou fogo à unidade.

Ainda conforme o delegado, outras sete pessoas já haviam sido presas no decorrer das investigações. Para frear o avanço da organização criminosa (que arrancava valores semanais entre R$ 50 e R$ 300 das vítimas), agentes cumpriram 58 mandados de busca e apreensão e oito mandados de captura, que incluíram a Zona Norte de Porto Alegre e a periferia de Viamão, onde estavam dois veículos de alto padrão.

“Quartel-general”

Próximo ao Camelódromo, um dos trechos mais movimentados da rua Voluntários da Pátria foi isolado para que uma equipe especial da força-tarefa entrasse em um prédio comercial, após estourar a porta de entrada com o auxílio de veículos especiais, no momento em que muitos trabalhadores já chegavam à região para mais um dia de expediente. O local foi apontado como uma espécie de “quartel-general” da organização, cujo líder já cumpre pena em um presídio federal.

Segundo informações extraoficiais, ambulantes que não pagavam a propina correm risco de vida. Alguns deles teriam sido agredidos ou mesmo torturados em locais pertencentes à facção, que já estaria “espraiando” o seu raio de ação por bairros mais ou menos próximos ao Centro Histórico, como Floresta. O nome da operação, “Toll”, é uma referência à palavra inglesa que significa “pedágio”, em um livre tradução.

(Marcello Campos)

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