Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de maio de 2020
O ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto foram presos na manhã dessa quinta-feira (14) em mais uma etapa da Operação Lava-Jato no Rio, a Operação Favorito, deflagrada pela PF (Polícia Federal) e o MPF (Ministério Público Federal).
As investigações referem-se a desvios em contratos na área da saúde envolvendo organizações sociais e contaram com interceptação telefônica e quebras de sigilo telemático.
Mário Peixoto foi preso em Angra dos Reis, na Costa Verde. Ele e é dono de empresas que têm contratos com as gestões de Sérgio Cabral e Wilson Witzel, inclusive para fornecimento aos hospitais de campanha montados para receber pacientes com covid-19. Ao todo, o Estado já registrou 2.247 mortes e 19.467 casos em virtude do novo coronavírus.
Segundo o site G1, Peixoto e Melo já foram sócios e acabaram presos porque surgiram indícios de que o grupo do empresário estava interessado em negócios em hospitais de campanha. Peixoto também é fornecedor do governo federal. O nome da operação tem relação com o número de contratos e o tempo de relacionamento do empresário com a administração pública, ou seja, vários anos sendo o “favorito”. O MPF aponta que, com as interceptações telefônicas e de mensagens, foi possível colher provas de que a organização persistiu com as práticas criminosas mesmo durante o agravamento da pandemia, se valendo da situação de calamidade que autoriza a contratação emergencial e sem licitação para obter contratos de forma ilícita com o poder público.
Familiares alvos
Embora sejam investigações diferentes, a operação envolve o MPF e o Ministério Público do Estado e ocorreu de forma conjunta porque têm alvos em comum, sendo uma pessoa física e duas pessoas jurídicas. O jornal O Globo apurou que o investigado tanto pelo MP estadual quanto pelos procuradores da Lava-Jato é Luiz Roberto Martins, ex-presidente do Instituto Data Rio (IDR) e também das Organizações Sociais IDR e UNIR. Melo e Peixoto foram alvos da investigação do MPF.
O filho do empresário, Vinícius Ferreira Peixoto, também foi alvo de ordem de prisão preventiva. Dois irmãos de Mário Peixoto, Marco Antônio e Marcio Peixoto, foram convocados a depor. Segundo o MPF, eles integram e administram as pessoas jurídicas por meio das quais são praticados os delitos de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações ocorrem desde o ano passado e contaram com medidas de interceptação telefônica, quebras de sigilos fiscal, bancário, telefônico, telemático e cooperação jurídica internacional, autorizadas judicialmente. No âmbito da investigação do MPF, foram expedidos 11 intimações para prestar depoimento, 42 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva nos Estados de Minas Gerais e Rio pela 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, do juiz Marcelo Bretas, em razão dos indícios da prática dos crimes de lavagem de capital, organização criminosa, corrupção, peculato e evasão de divisas.
A ação é uma continuidade das operações Quinto de Ouro e Cadeia Velha, que levaram deputados estaduais para a cadeia e investigaram um grupo capitaneado por empresários que, por meio do pagamento de vantagens indevidas à conselheiros afastados do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), parlamentares e outros agentes públicos.
Citado em delação
Na denúncia à Justiça que fundamentou a Operação Cadeia Velha, na qual foram presos os então deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Édson Albertassi, o MPF revelou ligações — sejam em sociedades em empresas ou parcerias em negócios — entre a família Peixoto e os dois primeiros políticos. Picciani e Melo, por sinal, foram padrinhos de casamento de Peixoto em uma cerimônia na Itália para apenas 50 convidados. O MPF aponta que Paulo Melo utilizava, com frequência, a aeronave registrada em nome de uma empresa ligada a Mario Peixoto para viagens particulares. Durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral, empresas da família chegaram a acumular contratos que somavam R$ 480 milhões com o Estado.
Os procuradores apontam ainda transações suspeitas de compra e venda de uma propriedade rural aparentemente utilizada pelos investigados para lavagem de recursos financeiros ilícitos. O MPF diz que documentos indicam que Mário Peixoto e Melo são sócios de fato na fazenda.
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