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Brasil A Polícia Federal vai pedir a quebra do sigilo bancário e telefônico do esfaqueador de Bolsonaro

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Agressor confesso do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo de Oliveira, chegou à sede da Justiça Federal, em Juiz de Fora, sob um forte esquema de segurança. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A quebra de sigilo bancário e telefônico de Adélio Bispo de Oliveira, que atacou o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), será pedida pela Polícia Federal, segundo informações obtidas pelo jornal O Globo. O pedido deve ser feito pelo delegado que conduz a investigação sobre o crime. Adélio esfaqueou o deputado durante um evento de campanha na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. O último boletim, médico informa que o estado de saúde de Bolsonaro, transferido para São Paulo nesta manhã, é estável.

Os extratos bancários de Adélio do último ano estão sendo procurados pelos policiais. Uma das linhas de investigação é descobrir de onde veio o dinheiro utilizado pelo autor do crime para se hospedar em Juiz de Fora.

O objetivo dos investigadores também é apurar as comunicações feitas por ele via celular ou por meio de e-mail e redes sociais para saber se Oliveira agiu sozinho, como declarou, ou se houve algum mandante do atentado. O computador dele foi apreendido na pensão onde morava, em Juiz de Fora.

Fontes da PF afirmaram à reportagem que há um segundo investigado, mas que por ora, a investigação está se concentrando em Oliveira.

Além disso, a Polícia Federal (PF) irá acessar o registro das antenas de celular por onde o acusado passou. Estações rádio-base também serão utilizadas para para saber os locais por onde Adélio passou.

Adélio foi indiciado com base na Lei da Segurança Nacional. A informação é do deputado Fernando Francischini, que também é delegado da Polícia Federal.

“Ele foi indiciado na Lei de Segurança Nacional no artigo 20 já que a motivação que ele assumiu foi uma motivação político-religiosa”, disse Francischini.

O deputado fez um pedido pela manutenção de Adélio no cárcere e a sua transferência para um presídio federal, onde ele poderia ficar isolado dos demais detentos por questões de segurança.

Segundo o procurador da República Valdmir Aras, “os crimes políticos estão previstos na Lei 7.170/83, conhecida como Lei de Segurança Nacional”. Como tais delitos são de competência federal, eles têm um rito especial e são julgados diretamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador explica que o ocorrido é um “crime federal pela ofensa a interesse ou serviço da União (inciso IV, artigo 109, Const.)” mas não um “crime político”, já que “aparentemente” o delito é de “motivação político-partidária (a apurar), mas não de natureza política”.

Segundo o deputado Fernando Francischini, o partido de Bolsonaro, o PSL, também estaria investigando os paradeiros recentes de Adélio, que teria percorrido vários Estados, para saber se o acusado chegou a estar presente em outros comícios do candidato.

A Polícia Federal também investiga registros de filmagens do local para tentar identificar se houve, ou não, auxílio de outras pessoas a Adélio para a realização do atentado.

“Dizem em redes sociais e em mensagens que recebemos de apoiadores que tem pessoas passando a faca (para Adélio) até chegar no Bolsonaro. Falam que têm outras pessoas dando cobertura. Isso só a investigação vai poder dizer se é real ou não”, explicou Francischini.

Estado

Bolsonaro foi transferido em estado grave, mas estável, para o hospital Albert Einstein, em São Paulo, na manhã desta sexta-feira. No boletim de ocorrência, a polícia informa que a faca usada para ferir Bolsonaro possui lâmina de 25 cm. A diretora da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Eunice Dantas, destacou que Bolsonaro perdeu em torno de 40% do sangue do corpo e precisou de quatro bolsas de transfusão.

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