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Mundo A produção de comida na Venezuela caiu mais da metade nos últimos dez anos

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(Foto: Reprodução)

Em dez anos, a Venezuela perdeu mais da metade de sua capacidade de abastecimento. Se em 2008 o país produzia 70% da comida necessária para alimentar seus 28 milhões de habitantes e ainda conseguia exportar algo, a expectativa para 2018 é de produzir apenas 20% do necessário para sustentar os 31 milhões que tem hoje.

De acordo com a Fedenaga (Federação Nacional de Pecuaristas da Venezuela), em 2017, um venezuelano comeu, em média, 4,7 quilos de carne vermelha, seis vezes menos que em 2012. Com o frango, a situação é pior: de 42 quilos por pessoa por ano em 2012, o consumo passou para 11 quilos em 2017.

O presidente da Fedenaga, Carlos Albornoz, diz que o nível de segurança alimentar no país caiu em razão das intervenções do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) e de Nicolás Maduro, no comando do país desde 2013. O pecuarista argumenta que, com a alta nos preços do petróleo, responsável por mais de 90% da renda com exportações, o governo mascarou uma crise que chegaria em breve.

“Houve um superávit, porque os preços do petróleo subiram muito (de US$ 40 o barril, em 2003, para US$ 110, em 2011). O país tinha duas opções: fomentar, construir e estruturar uma economia sólida ou usar o populismo em subsídios”, critica. Além disso, produtos importados passaram a ser comprados com mais facilidade e a produção local foi desestimulada.

O rebanho bovino caiu de 14 milhões de cabeças de gado para pouco mais de 8 milhões em dez anos. Aquiles Hopkins, presidente da Federagro (Confederação de Associações de Produtores Agropecuários), diz que o setor tem dificuldades para comprar insumos, renovar a frota de equipamentos agrícolas e adquirir novas tecnologias.

“Cerca de 85% do maquinário agrícola da Venezuela está obsoleto. Precisamos de liberdade para investir em novas tecnologias, porque a agropecuária é a única maneira de confrontar essa crise de abastecimento”, afirma. “Queremos criar uma rede internacional para conseguir apoio de países vizinhos e o Brasil é um aliado estratégico como fornecedor de tecnologia e conhecimento.”

Uma pesquisa realizada em 2017 pelas principais universidades do país apontou que 87% das famílias venezuelanas foram consideradas pobres, sem recursos para adquirir os bens mínimos necessários. Entre 2014 e 2017, esse número cresceu 38%.

As informações são de representantes do setor produtivo venezuelano que estiveram em São Paulo para o Encontro de Segurança Alimentar da América do Sul. Para o professor Vladimir Maciel, coordenador do Centro de Liberdade Econômica do Mackenzie, que organizou o evento, o governo venezuelano errou ao tentar estabelecer um preço máximo para os alimentos, que resultou em escassez. Maciel comenta que a crise foi mascarada enquanto o preço do petróleo estava alto. Após a queda para US$ 40, em 2015, o governo perdeu o mecanismo que lhe dava sustentação.

O governo interveio também no mercado de câmbio, impedindo operações de importação regulares de produtos básicos, como insumos e equipamentos para a indústria. Além disso, houve alta emissão de papel moeda, elevando a inflação. “A questão da fome vai macular uma geração inteira de crianças e de jovens que serão adultos com menos produtividade e potencialidade por conta dos efeitos da desnutrição”, disse.

Procurada pela reportagem, a assessoria do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela informou que não comentaria o assunto. Em entrevista ao jornal espanhol El País, em março, o vice-presidente venezuelano, Tareck El Aissami, disse que o objetivo do governo é ser autossuficiente em milho, arroz, açúcar, legumes, cacau, café e soja nos próximos meses.

No site do Ministério da Agricultura da Venezuela há uma série de objetivos estratégicos, como o fim dos latifúndios e a garantia do acesso à terra. O site informa que o objetivo do governo é ter pelo menos 60% de capacidade de armazenamento e processamento de produtos como cereais, grãos, açúcar, carne e leite, além de pelo menos 30% dos outros produtos.

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