Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de julho de 2026
O ataque do grupo houthi, do Iêmen, a navios da Arábia Saudita que cruzavam o Mar Vermelho marcou um novo episódio de escalada das tensões no Oriente Médio, afastando ainda mais a possibilidade de solução pela via diplomática. Neste ambiente, os mercados registraram uma ampla aversão a risco em todo o mundo e os preços do petróleo voltaram ao patamar de US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio.
A escalada dos preços do petróleo penalizou, em especial, os mercados de juros ao redor do mundo. No Brasil, as taxas futuras fecharam nos maiores níveis em um mês, tanto em prazos curtos quanto longos. Já nos EUA, os rendimentos dos Treasuries chegaram a tocar as máximas desde janeiro de 2025.
Ao fim do pregão regular, o petróleo tipo Brent, referência global da commodity, com entrega prevista para setembro anotou uma disparada de 7,04%, cotado a US$ 100,69 por barril. Desde a mínima de US$ 71,99, em 26 de junho, acumula alta de 39,9%. Já o petróleo WTI (referência americana) para o mesmo mês subiu 6,17%, a US$ 92,19 por barril.
O salto dos preços ocorreu diante da percepção de que o ataque dos houthi aos navios sauditas representou um passo adiante nas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, prometeu retaliar a ofensiva que, de acordo com ele, é de responsabilidade do Irã.
Nesse ambiente de forte aversão a risco, praticamente todos os mercados sofreram. A renda fixa, porém, foi a mais afetada em meio à perspectiva de que o petróleo mais caro pode levar a uma política monetária mais contracionista no mundo.
No Brasil, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 subiu de 14,22% para 14,41%; a do DI de janeiro de 2029 anotou forte alta de 14,50% para 14,705%; e a do DI de janeiro de 2031 saltou de 14,675% para 14,85%. Já nos EUA, o rendimento da T-note de dez anos avançou de 4,668% para 4,700%.
Por ora, no Brasil, a expectativa majoritária segue sendo de que o Banco Central (BC) vai reduzir a Selic de 14,25% para 14% em 5 de agosto, data da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No entanto, o estresse nos juros fez o mercado reduzir a chance de que isso ocorra de 79% para 66%, de acordo com o mercado de opções de Copom.
Para Ian Lima, gestor de renda fixa ativa da Inter Asset, o espaço para cortes, que já era curto por conta da deterioração das expectativas de inflação, diminui ainda mais com o petróleo voltando à marca de US$ 100. Ainda que a commodity volte a operar nos níveis anteriores ao episódio mais recente de estresse com o cenário geopolítico, a tendência é que o Copom tenha pouca condição de prosseguir com a flexibilização da Selic para além de agosto.
“O BC pode dar um corte de 0,25 ponto ‘tranquilo’ ou um corte difícil de justificar, com pouco espaço adicional à frente”, diz o executivo, para quem a decisão de seguir reduzindo os juros não é óbvia e deve ser deliberada de acordo com as condições macroeconômicas em cada uma das próximas reuniões do Copom.
Lima também aponta que a postura mais conservadora dos principais bancos centrais do mundo – Federal Reserve (Fed, dos EUA), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE) – também dificulta que a Selic siga caindo. “É difícil imaginar que os BCs vão vir com um discurso ‘dove’ [suave] com essa camada a mais de risco geopolítico. E não é ideal que as políticas monetárias andem em direções opostas”, avalia.
Se nas últimas semanas o real se mostrava resiliente em episódios de estresse geopolítico, ontem a moeda brasileira seguiu a pressão observada em outros mercados emergentes de câmbio, e o dólar encerrou o pregão em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,0839 no mercado à vista.
Antes do episódio de estresse desta quinta-feira, o real funcionava como um porto seguro em momentos de estresse global em que o preço do petróleo exibe valorização, segundo avalia um operador de câmbio de uma grande corretora. “E a volatilidade está baixa e temos juros altos, então o ‘carry trade’ predomina. O que pode atrapalhar são as eleições, mas talvez nem isso.” (Com informações do Valor Econômico)
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