Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2016
A terceira idade está invadindo a internet no Brasil e o tabu de fazer compras no mundo virtual começa a ser quebrado. Uma pesquisa revelou que 5,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos já utilizam regularmente a web no País. Em apenas oito anos, foi um salto de 940%, o equivalente a 4,8 milhões de novos usuários. A E-bit, empresa especializada em comércio eletrônico, calculou que o consumidor mais velho já movimenta 15,6 bilhões de reais em compras on-line. Segundo a companhia, nenhuma outra faixa de comprador on-line teve avanço tão rápido nos últimos anos.
De olho nesse fenômeno, as empresas começam a se preparar para conversar com os idosos conectados. “Mais de 26 milhões de pessoas têm mais de 60 anos no País. É uma parcela da população com renda somada que chega a 330 bilhões de reais. A internet definitivamente passou a influenciar os hábitos de consumo desse público, que cada vez mais usará a rede para se informar, participar de redes sociais ou fazer compras”, explica Renato Meirelles, sócio do Instituto Locomotiva, que realizou o levantamento em todo o Brasil, com base em 1.950 entrevistas.
Valor mais alto que a média.
De acordo com a E-bit, os itens perfumaria e saúde são os mais procurados pelos internautas mais velhos, seguidos por eletrodomésticos, casa e decoração, moda e acessórios, e telefonia celular, nesta ordem. Além disso, o tíquete médio gasto nos sites pelo consumidor com mais de 50 anos é de 411 reais, contra 388 reais da média de todas as idades. No ano passado, dos 41 bilhões de reais gastos em e-commerce no Brasil, esse público foi responsável por 35%. E a tendência é que o gasto dessa turma cresça ainda mais.
“Iniciamos o mapeamento do e-commerce brasileiro há 16 anos. Lá atrás, esse público representava 5% dos pedidos feitos pela internet. No ano passado, o percentual chegou a 33%. Nenhuma outra faixa de compradores cresceu tanto e tão rápido”, avaliou Pedro Guasti, diretor-geral da E-bit.
A demanda mais intensa da terceira idade no e-commerce já é relatada pelos varejistas. O especialista em varejo Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, confirma que a chegada dos smartphones e de aplicativos de compra, mais fáceis de mexer e que concluem a operação com poucos cliques, ajudaram os mais velhos a quebrarem a barreira que existia entre eles e o mundo digital.
“Resolvida essa questão da cultura digital, você nota que o e-commerce se encaixa ainda mais às necessidades de consumo das pessoas com mais de 50 ou 60 anos. Na compra on-line você não precisa sair de casa, não precisa carregar peso, pode comparar preços sem muito esforço e pode ler com calma as informações de produtos sem se expor, por exemplo, a um atendente sem paciência”, disse Terra.
Bancos.
Até mesmo os bancos estão estimulando a parcela de clientes mais idosos a usar os canais digitais. O Itaú Unibanco, por exemplo, colocou no ar uma campanha que caiu no gosto da população ao mostrar duas senhoras, de 80 anos, totalmente conectadas, usando os aplicativos da instituição, além de outras modernidades como Snapchat.
“Miramos exatamente o público mais idoso. Há muitas propagandas sobre uso de tecnologia que são muito estereotipadas, nas quais as novidades aparecem como coisa de gente mais jovem. As soluções digitais valem para todas as idades”, afirma Eduardo Tracanella, superintendente de Marketing do banco.
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