Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

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Brasil A vacina contra o coronavírus pode estar disponível até o fim do ano

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Os testes clínicos fase três estão previstos para começar em agosto, com 1.000 voluntários de São Paulo e Salvador. (Foto: Reprodução)

A grande pergunta é: afinal, vai ter vacina contra a covid-19? Sim. Até outubro devem ser divulgadas as informações definitivas sobre a eficácia das primeiras candidatas a imunizantes desenvolvidas para conter a doença, cuja expansão provocou, até aqui, a morte de quase 550 mil pessoas no mundo. Se tudo der certo com os testes em curso, o Brasil poderá contar com 90 milhões de doses desses produtos entre o fim do ano e o início de 2021.

Tantas esperanças se concentram em duas frentes. A primeira responde pelo nome de AZD 1222, mas já foi chamada de ChAdOx1. Tais emaranhados de letras e números nasceram nas bancadas do Jenner Institute, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em parceria com a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca. Eles designam a vacina que está sendo aplicada em 50 mil voluntários desde junho.

São 5 mil pessoas no Brasil, 30 mil nos EUA, 10 mil no Reino Unido e outros 5 mil espalhados pela África e Ásia. “Os resultados dos testes devem sair entre setembro e outubro”, diz Jorge Mazzei, diretor de relações corporativas da AstraZeneca. “Se as análises forem positivas, teremos 30 milhões de doses disponíveis entre dezembro e janeiro no Brasil, com a expectativa de mais 70 milhões num segundo momento. Em todo o mundo, vamos produzir 2 bilhões de doses em 2021.”

A segunda fonte de expectativas vem da China. A CoronaVac, vacina criada pela Sinovac, empresa de biotecnologia com sede em Pequim, está sendo testada em 9 mil brasileiros, em 12 regiões. Em São Paulo, abrangem a capital paulista, São Caetano, Campinas, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. Isso além de polos em três Estados (Rio, Minas, Paraná) e no Distrito Federal.

“Em uma boa perspectiva, poderemos concluir os ensaios até o fim deste ano”, diz Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, em São Paulo, responsável pela condução dos estudos no país. “Mas já teremos 60 milhões de doses da vacina à disposição em setembro, e esse número pode chegar a 120 milhões no início de 2021.”

É enorme a ansiedade em torno da descoberta de um imunizante contra o Sars-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. Uma vacina representaria uma barreira contra o desastre sanitário e econômico que varre o planeta, além de proporcionar possível passagem de volta à vida como ela era antes. Porém, cabem “senões” às notícias alvissareiras dadas até aqui. Esses experimentos, observam especialistas, precisam comprovar sua eficácia — tarefa que não é trivial.

A inserção do Brasil na vanguarda dos exames clínicos se deu por linhas tortas. Embora os laboratórios internacionais reconheçam a qualidade da ciência praticada por aqui, esses ensaios ocorrem em locais onde o coronavírus está bem ativo. Quanto mais ele fervilhar, melhor para os exames. Como a covid-19 está em franca ascensão no país, os brasileiros assumiram o posto de cobaias preferenciais do planeta.

“Nós nos tornamos um campo de testes fantástico”, diz Soraya Smaili, reitora da Unifesp, que coordena o estudo da candidata a vacina da dupla Oxford-AstraZeneca. “Mas o fato é que todos reconhecem que podemos fazer um excelente trabalho nesse campo, e essa é uma lição importante para o país.”

O atual processo de criação das vacinas marca um feito insólito. “O desenvolvimento de um imunizante consome, em média, entre 10 e 15 anos”, diz Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer. “Hoje, embora ainda estejamos nas etapas de testes, estamos vendo tudo acontecer em questão de meses. Isso não tem precedentes.”

Para ter uma ideia da amplitude desse salto, considere que a vacina da catapora levou 28 anos para ficar pronta. A mais rápida da história foi a da caxumba, com quatro anos de prazo, na década de 1960. Esse corte no tempo de maturação do produto está sendo obtido por meio de uma somatória de fatores. Ela inclui uma mobilização incomum entre países, instituições, empresas e órgãos reguladores, além de uma considerável porção de engenho humano.

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