Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020

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Brasil Entenda como está a busca pela vacina para o coronavírus

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Mais de 150 vacinas em potencial estão sendo desenvolvidas em todo o mundo. (Foto: Alex Rocha/PMPA)

A pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 560 mil pessoas no mundo, deu início a uma corrida para encontrar a vacina contra a Covid-19. Muitos países se juntaram em busca de uma cura para a doença altamente contagiosa que desde o início causa crises humanitárias e financeiras ao redor do globo. Especialistas alertam, porém, que o percurso para conseguir tal objetivo tem obstáculos vertiginosos e é marcado por desafios financeiros, expectativas frustradas e problemas em relação à segurança dos insumos. Veja algumas perguntas e respostas.

1) Quantas vacinas estão sendo pesquisadas?

Da última vez que abordou o assunto, em 6 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou 21 vacinas candidatas que estão sendo avaliadas em ensaios clínicos com seres humanos em todo o mundo. Em comparação, no mês passado, eram 11 insumos em fase de testes. Um terço desses testes são realizados na China. O país — onde surgiram os primeiros casos do SARS-CoV-2, vírus responsável pela pandemia — quer ser o primeiro a oferecer uma vacina e não hesita em ampliar suas pesquisas.

2) Quais as técnicas usadas?

Algumas equipes trabalham com vacinas clássicas, ou seja, vacinas inativadas, que usam a versão morta do germe causador da doença. Há também as chamadas “vivas”, que usam uma forma enfraquecida (ou atenuada) do microrganismo.

Além dessas duas, existem vacinas de subunidades, que usam partes específicas do germe, como sua proteína, para fornecer uma resposta de imunidade. Já outros insumos usam outros vírus como suporte para combater o que causa a Covid-19.

3) Quais os resultados até agora?

Por ora, existem apenas resultados parciais publicado. Alguns deles são considerados “encorajadores” pelos laboratórios. No entanto, a prudência deve prevalecer, enfatiza o especialista em imunologia francês Jean-François Delfraissy. Os anúncios dos laboratórios são voltados ao público em geral, mas também sujeitos a interesses financeiros. As empresas querem mostrar que os processos estão progredindo, mas o que conta são os resultados.

4) Qual a velocidade das pesquisas?

Em todo o mundo, os estudos em busca da vacina estão se acelerando. É um movimento sem precedentes. “Está avançando muito rápido, talvez mais rápido do que o previsto”, diz Christophe d’Enfert, pesquisador do Instituto Pasteur, na França. Governos e fundações lançaram campanhas de arrecadação de fundos para incentivar as pesquisas. Os Estados Unidos estão sozinhos nesta corrida, ao contrário de outros países, que uniram forças.

O governo de Donald Trump lançou a operação chamada “Warp Speed” (“velocidade de dobra”, em tradução literal, que significa mais rápido que a luz) para tentar produzir 300 milhões de doses de uma vacina eficaz entre agora e janeiro de 2021, a fim de fornecê-la prioritariamente a americanos. Segundo especialista francês Delfraissy, as empresas estão pesquisando e preparando um sistema industrial para fabricar a vacina ao mesmo tempo, quando normalmente “esperam ter resultados” antes de iniciar esta segunda etapa.

5) Qual a segurança dessas vacinas?

“Para autorizar uma vacina contra a Covid-19, os ensaios clínicos deverão fornecer evidências suficientes de sua segurança, eficácia e qualidade”, alerta a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). E ir rápido demais “pode causar problemas” em termos de segurança, de acordo com Daniel Floret, que enfatiza que “um dos pontos chave é fornecer prova de que a vacina não pode exacerbar a doença”, ou seja, agravar a condição médica das pessoas vacinadas, indo em direção oposta ao objetivo dos estudos.

6) Quando a vacina ficará pronta?

A EMA estima que só no início de 2021 uma vacina contra a Covid-19 deve ficar pronta para aprovação e disponível em quantidades suficientes para uso mundial. Os mais otimistas dizem que talvez isso possa acontecer um pouco mais cedo, já no próximo semestre. “Não sei se é muito realista afirmar isso. É preciso segurar o entusiasmo”, diz Floret. “Se tivermos sucesso [de descobrir uma vacina] no primeiro trimestre de 2021, já será uma grande conquista”, finaliza.

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