Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de novembro de 2016
A“riqueza” na vida do ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB) também atendia pelo nome de Adriana Ancelmo. Na intimidade, esse era o apelido da ex-primeira-dama do Estado, de 46 anos – que costumava devolver o gracejo com um singelo “Meu Anjo”.
Depois de alguns dias de separação, Adriana visitou o marido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para onde foi levado preso, pela Polícia Federal. No flagrante fotográfico da visita ao sistema prisional, ela usa óculos escuros, uma camiseta clara e brincos vistosos. É possível imaginar que aquele par tenha sobrevivido à devassa policial no apartamento em que ela morava com o marido.
Lá, foram encontrados outros 22 pares de brincos, três colares, sete anéis, uma pulseira, sete relógios e um pingente. Peças caras, compradas em joalherias como H.Stern e Cartier.
Em seu conjunto, a foto não transmite sinais de sofrimento. Ao contrário, o que se vê ali é discrição, poder e, claro, a própria “Riqueza”.
Operação Calicute.
Em tom alegre, uma tela de Adriana e outra de Cabral, pintadas supostamente por Romero Britto, contrastam com a situação atual do casal. Os retratos sorridentes estavam entre as obras de arte apreendidas na Operação Calicute. A ação investiga corrupção em obras públicas no Rio de Janeiro durante a gestão do hoje ex-governador.
Além dessas telas, a coleção recolhida pela Polícia Federal inclui esculturas e fotografias – ao todo, seriam 28 peças. Há estátuas em estilo barroco e quadros abstratos. Também foi aprendida prataria.
Todo o material deve ser submetido a perícia, para atestar a autenticidade e possivelmente avaliá-lo. A Polícia Federal quer saber se o casal, suspeito de integrar um amplo esquema de desvios de verbas usava obras de arte para lavar dinheiro desviado.
Estima-se que o esquema, supostamente chefiado por Cabral e integrado por alguns de seus secretários durante seu governo (janeiro de 2007 a abril de 2014), tenha se apropriado ilegalmente de mais de 200 milhões de reais.
A Polícia Federal também apreendeu roupas de grifes famosas que pertenciam ao casal. Cabral tinha ternos caros – um deles, de Ermenegildo Zegna, teve seu valor estimado pelos investigadores em 22 mil reais. Adriana, cujo escritório de advocacia mantinha contratos com concessionários do Rio, separava seus vestidos por grife.
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