Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2015
Dirigentes dos dois maiores partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff se reuniram no gabinete da liderança do PSDB no Senado na terça-feira, a portas fechadas, para redefinir sua atuação diante da crise.
Da conversa, saíram dois consensos. Primeiro, que a estratégia esboçada há algumas semanas pelos entusiastas de um pedido de impeachment é inviável.
Conforme esse plano, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), rejeitaria pedidos de afastamento, abrindo espaço para que um recurso fosse apreciado pelo plenário da Casa. O rito permitiria que com maioria simples – metade dos votos dos deputados presentes mais um – fosse possível dar andamento ao impeachment, sem que Cunha fosse apontado como protagonista do processo.
Um dos críticos dessa operação é o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). “Não acredito que isso vá à frente. É o tipo de manobra que não se faz em um quadro dessa gravidade. É chicana parlamentar”, avaliou o tucano.
Em privado, o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), o senador José Serra (SP), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso compartilham da avaliação. Tanto PSDB como DEM avaliam que hoje não existe base legal para o impeachment da presidenta Dilma.
Mas há expectativa de mudança nesse cenário, e ela se concentra em três frentes: o avanço da Lava-Jato, a possibilidade de as contas de Dilma do ano de 2014 serem rejeitadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concluir que dinheiro desviado da Petrobras abasteceu as contas da campanha presidencial petista.
PMDB
O outro consenso é que será preciso acompanhar o desenrolar das relações entre o PT de Dilma e o PMDB de seu vice-presidente, Michel Temer, para traçar um cenário mais seguro sobre as chances de um pedido de impeachment prosperar no Congresso.
“Foi feita a avaliação de que, em matéria de número, a oposição sozinha não chegará a lugar algum. Mas o PMDB deu passos e é preciso acompanhar isso para ter um cenário mais nítido”, avaliou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).
A fala é uma referência à saída de Temer do comando da articulação política do governo, função que havia assumido para garantir a aprovação do ajuste fiscal e melhorar as relações entre o governo e o Congresso.
Um discurso de Temer pela “união nacional” fez com que o vice passasse a ser criticado dentro do governo. Ele decidiu deixar o posto para se livrar do que definiu como um “ambiente de intrigas”.
Com a definição de que o momento é de observar o desenrolar desse enredo, a oposição na Câmara anunciou o adiamento do encontro com juristas para reavaliar a viabilidade do impeachment. “[O afastamento] Envolve aspectos jurídicos e políticos. Temos que aguardar o momento adequado”, justificou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PB). (Folhapress)
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