Segunda-feira, 27 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2017
As ações da JBS despencavam 6,53% no pregão desta terça-feira, cotadas a 8,02 reais por volta das 13h09min. A queda acontece um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot afirmar que foram encontrados problemas nas delações de Joesley Batista, um dos donos da empresa, e do executivo Ricardo Saud. Segundo Janot, as irregularidades poderiam anular a delação.
O Ibovespa registrava baixa de 0,23%, aos 71.944 pontos, no mesmo horário. Na abertura do pregão, o índice chegou a se valorizar mais de 1%, superando os 73.000 pontos.
A Revista “Veja” teve acesso às conversas que Joesley Batista e Ricardo Saud entregaram à PGR (Procuradoria-Geral da República) na última quinta-feira à noite. Na primeira parte dos áudios, os dois delatores, aparentemente sem notar que estão eles próprios se gravando, falam, entre outros temas, sobre como se aproximar de Janot por meio do ex-procurador Marcelo Miller – ex-auxiliar de Janot – e sobre a exigência de eles não serem presos após fecharem os acordos de delação premiada.
Em um dos pontos mais sensíveis do áudio, possivelmente gravado no dia 17 de março, Joesley e Ricardo Saud afirmam que Fernanda, possivelmente a advogada Fernanda Tórtima, “surtou” porque, a depender dos rumos da delação e de qual autoridade citassem em depoimento, os dois poderiam “entregar” o Supremo, em referência a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Delação pela metade
Na conversa que gravaram e encaminharam na última semana à Procuradoria-Geral da República, aparentemente sem querer, os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, conversam sobre a divisão de dinheiro para os partidos políticos. A certa altura do diálogo, o dono da JBS sugere que seu principal executivo faça uma delação pela metade. Joesley afirma que Ricardo Saud poderia fingir que não tinha conhecimento de todas as irregularidades da empresa. Saud se mostra contra essa ideia, com medo de posteriormente ser delatado pelas dezenas de pessoas para as quais pagou propina.
Jogo
Em mais um trecho da nova gravação da conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, o empresário descreve o que acredita ser um “jogo” do MPF (Ministério Público Federal) para obter uma delação dos executivos da empresa. Para Batista, a ideia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, era “botar pressão” sobre a empresa sem atingi-la diretamente, de modo a “dar pânico” nos executivos.
Ele diz que Janot “sabe tudo”, porque a “turma já falou”. Questionado se teria sido o procurador Marcelo Miller, ex-auxiliar de Janot que depois passou a trabalhar em escritório de advocacia que atuou para a JBS, o responsável por levar a situação da JBS até ele, Joesley inclui no meio-de-campo Anselmo Lopes, procurador da força-tarefa da Operação Greenfield, e Eduardo Pelella, chefe de gabinete do procurador-geral. “Tá falando para o Anselmo, que falou para o Pelella, que falou para não sei quem lá, que falou para o Janot. O Janot está sabendo”, disse.
Ele concluiu seu raciocínio ironizando o procurador-geral, simulando a orientação que ele, “espertão”, teria dado aos seus comandados: “Põe pressão neles para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Dá pânico neles, mas não mexe com eles”. (AG)