Domingo, 03 de maio de 2026
Por Alexandre Teixeira de Castilhos Rodrigues | 3 de maio de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
A ADESG, Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, é uma entidade sem fins lucrativos reconhecida pelo Ministério da Justiça, cujo lema é “conhecer o Brasil para melhor servi-lo”.
Fundada em 1951, a delegacia do Rio Grande do Sul, em maio, completa 64 anos de atuação. Tem como propósito congregar os diplomados da Escola Superior de Guerra e os concludentes dos cursos de estudo de políticas estratégicas, promovendo conhecimentos voltados ao desenvolvimento e à defesa nacional.
Os cursos promovidos pela instituição são realizados, principalmente, por meio de palestras e conferências, com a missão de preservar e promover os valores morais e espirituais da nacionalidade, incentivar a amizade e a solidariedade entre seus membros, difundir estudos e conceitos ligados à defesa e ao desenvolvimento nacional, além de desenvolver atividades culturais e educacionais sem vinculação político-partidária.
O Curso de Estudos de Política e Estratégia é voltado a civis e militares, com conteúdo diferenciado que abrange temas como geopolítica, inteligência estratégica, planejamento estratégico, economia e administração pública. Com duração aproximada de quatro meses, busca capacitar os participantes para a análise da realidade nacional e a formulação de soluções estratégicas para o país.
Há instituições que se constroem como prédios — com paredes, horários e rotinas. E há outras que se erguem como faróis — silenciosas, persistentes, lançando luz sobre caminhos que poucos enxergam. A ADESG pertence a essa segunda natureza.
Ela não se limita a formar alunos; forma olhares. Olhares que aprendem a ver o Brasil não como um mapa fragmentado, mas como um organismo vivo — com suas fragilidades, suas potências e, sobretudo, suas possibilidades. Cada curso é uma travessia: o aluno embarca com certezas e retorna com perguntas melhores.
Num tempo em que a pressa tenta substituir a reflexão, a ADESG escolhe o caminho inverso: parar para compreender. Compreender não é apenas acumular conhecimento técnico, mas aprender a escutar o país — suas vozes, seus silêncios e suas contradições. Estratégia, afinal, não nasce apenas de números, mas também de sensibilidade histórica e responsabilidade coletiva.
Os ciclos de estudos, as palestras e os encontros lembram uma oficina de pensamento. Não daquelas que produzem respostas prontas, mas das que moldam consciências. E talvez aí resida seu maior valor: formar cidadãos que pensam antes de agir e que, ao agir, o fazem com sentido de nação.
A presença de civis e militares lado a lado não é mero detalhe — é símbolo de que o Brasil não se constrói em compartimentos isolados, mas na convergência de experiências. Como um mosaico, cada peça tem sua cor própria, mas só encontra sentido no conjunto.
Quando se fala em estratégia, não se trata apenas de defesa territorial ou de planejamento institucional. Trata-se da capacidade de imaginar o futuro. A ADESG ensina que pensar estrategicamente é ter coragem de projetar o amanhã sem perder o compromisso com o presente.
Por isso, seus cursos não são apenas disciplinas — são provocações. A geopolítica se torna lente; a inteligência estratégica, postura; o planejamento, responsabilidade. Forma-se, assim, uma rede invisível de homens e mulheres, Adesguianos e Adesguianas, movidos por uma mesma inquietação: servir melhor ao Brasil porque o conhecem melhor.
No fundo, a ADESG nos lembra de algo essencial: um país não se desenvolve apenas com recursos — desenvolve-se com consciência. Consciência de sua história, de seus desafios e de seu papel no mundo.
Ao completar mais um ciclo de existência, especialmente no Rio Grande do Sul, a ADESG reafirma sua vocação de semear pensamento em terreno muitas vezes árido. E semear pensamento é um ato de coragem, porque seus frutos não são imediatos, mas duradouros.
Que instituições assim continuem existindo e resistindo. Em tempos de ruído, precisamos de espaços de escuta. Em tempos de superficialidade, precisamos de profundidade. E, em tempos de incerteza, precisamos de direção.
A ADESG não entrega caminhos prontos — ensina a caminhar. E isso, por si só, já é uma forma de servir ao Brasil.
O conhecimento faz a diferença!

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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