Sábado, 13 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de abril de 2016
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Definido o resultado de ontem, no qual a Câmara dos Deputados seguindo o rito fixado pela Suprema Corte do País aprovou o relatório que pede a abertura de processo de impeachment contra a presidenta da República Dilma Rousseff, teremos dias difíceis pela frente. Um governo fragilizado e desorientado continuará, por ora, tocando a vida do País.
Sem governo
O espaço de tempo necessário para que o Senado Federal crie a comissão especial que precisará votar por maioria simples a admissibilidade do processo, e se for o caso, a sua votação mais tarde pelo plenário, onde o governo precisará torcer para que 54 senadores – dois terços – não aprovem o seu início, será marcado por uma falta de governo no País. Há quem diga que será melhor um governo paralisado que o atual desgoverno.
Ana Amélia na relatoria?
São fortes os comentários indicando que a senadora Ana Amélia (PP) pode ser indicada para a cargo de relatora na Comissão Especial que o Senado vai instalar para apreciar a admissibilidade do processo de impeachment e a sua remessa ao plenário.
E as questões urgentes?
Existem questões urgentes que precisam de uma definição do governo. Enfraquecido, dificilmente o governo tomará decisões que têm urgência. Uma delas, trata-se da renegociação das dívidas dos Estados. Esta é uma questão crucial para o Rio Grande do Sul.
A posse de Michel Temer
O vice-presidente Michel Temer só assume o poder com plenos poderes, caso o plenário do Senado, por dois terços, aprove o início do processo de impeachment. A posse de Temer se dá devido ao afastamento da presidenta neste caso, por 180 dias, tempo que o Senado terá para julgar o impeachment, aí já sob a presidência do ministro Ricardo Lewandoski, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Diante da expressiva diferença na votação ocorrida ontem na Câmara dos Deputados, dificilmente o Senado adotará posição diferente.
Votos de coragem
O voto do deputado Giovani Cherini a favor do relatório, contrariando a posição assumida pelo seu partido, o PDT, que fechou questão contra o relatório do impeachment, por mais que se queira desqualificá-lo, foi um voto de coragem. Diferente por exemplo, do voto do seu colega de bancada, deputado Pompeo de Matos que ao optar pela abstenção, encontrou uma forma disfarçada de dar seu voto ao governo. Mais corajoso seria votando com o governo, como fez seu colega Afonso Motta que teve posição. Pode-se discordar de Mota, mas merece respeito por ter se posicionado.
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