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Mundo Alemanha prende britânico suspeito de espionar para russos

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Prédio da embaixada britânica em Berlim, Alemanha, onde o homem trabalhava. (Foto: Reprodução/Twitter)

A polícia alemã prendeu um britânico de 57 anos que trabalhava na Embaixada do Reino Unido em Berlim sob suspeita de passar documentos para o serviço de inteligência russo em troca de dinheiro. O governo alemão classificou o ato de “inaceitável”.

“A espionagem por parte de um estreito parceiro da Alemanha em solo alemão é inaceitável. Por esse motivo, vamos acompanhar de muito perto a investigação”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Christofer Burger, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (11).

As autoridades suspeitam que o indivíduo, apresentado como David S., teria “transmitido a um representante dos serviços de Inteligência russos”, em pelo menos uma ocasião, um documento “obtido no âmbito de suas funções na embaixada”, informou a Procuradoria Federal responsável por investigar casos de espionagem.

“Em troca, recebeu uma quantia de dinheiro em espécie de um valor não determinado”, completou a instituição, acrescentando que a detenção se deu em colaboração com as autoridades britânicas na terça-feira em Potsdam, nos arredores de Berlim. O suspeito é um funcionário local empregado pela embaixada de seu país, em um posto não especificado.

“Ele é fortemente suspeito, pelo menos desde novembro de 2020, de ter atuado em benefício dos serviços de Inteligência russos”, disse a Procuradoria, relatando que “seu apartamento e seu local de trabalho foram revistados”.

O Serviço Federal de Segurança e o Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A embaixada russa na Alemanha se recusou a comentar as reportagens sobre o caso para a agência de notícias Interfax.

O caso se soma a uma série de outros incidentes, dos quais as autoridades britânicas e alemãs acusam a Rússia e seus serviços de Inteligência.

As relações entre o Reino Unido e Moscou atravessam seu pior momento em muito tempo, sobretudo, desde que o ex-agente duplo Sergey Skripal foi envenenado com Novichok – uma substância neurotóxica desenvolvida para fins militares na era soviética. Esse episódio aconteceu na cidade de Salisbury (Inglaterra), em 2018.

O Kremlin sempre negou qualquer envolvimento no caso, mas o incidente desencadeou uma onda de expulsões cruzadas de diplomatas entre Londres e seus aliados em Moscou, algo sem precedentes desde o fim da Guerra Fria.

Antes disso, Alexander Litvinenko, exilado no Reino Unido e opositor do Kremlin, morreu em novembro de 2006 por envenenamento com polônio-210, uma substância radioativa extremamente tóxica. Perto da morte, acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás da intoxicação.

Na Alemanha, há vários casos de espionagem atribuídos ao Kremlin. No final de junho, a Justiça alemã anunciou a prisão de um cientista russo empregado em uma universidade que é suspeito de espionar para Moscou. Berlim também acusou Moscou, várias vezes, de fazer espionagem cibernética.

A questão que mais tensionou as relações bilaterais foi, no entanto, a tentativa de assassinato do opositor russo Alexei Navalny, em agosto do ano passado. Várias potências ocidentais acusaram Moscou pelo ataque. Navalny foi transferido, em coma, para um hospital de Berlim. Lá, os médicos alemães diagnosticaram o envenenamento por uma substância semelhante ao Novichok. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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