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Colunistas Alma Farroupilha

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Cavalaria Farroupilha. Pintura de Guilherme Litran - 1893. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

“Nós sabemos que eles estão mentindo. Eles sabem que estão mentindo. Eles sabem que nós sabemos que eles estão mentindo. Nós também sabemos que eles sabem que nós sabemos que eles estão mentindo, mas eles continuam mentindo.”

Elena Gorokhova

Em plena  Semana Farroupilha, quando manifestamos todo nosso orgulho  de sermos  gaúchos, aconteceu em Brasília um “desfile” de cinismos  e baixarias pra dizer o mínimo.

A sombra escura pairou sobre o país, foi vista aqui e lá fora. Para a maioria dos brasileiros um misto de vergonha alheia e indignação.

Como sempre, nos escandalizamos por pouco tempo e como somos craques em desprezar as causas, o que vai para as mídias  são as consequências.

 Estamos ainda numa etapa evolutiva onde é preferível manter as aparências a buscar o que de fato ocorreu.

Some- se a isso, em plena era de ouro do “politicamente correto”. Todo cuidado para não magoar e toda criatividade para inventar um novo juridiquês.

O descaso pelas causas, a desfaçatez e o famoso “passar pano”  nos  verdadeiros malfeitos que correm soltos.

Não é só um jogo de palavras. É também o fenômeno visual , é mais importante o parecer e o formalismo da retórica do que à busca da verdade.

As palavras mudam de sentido. E nós, gaúchos, sabemos bem disso.

A palavra “Gaúcho” já foi xingamento. Era sinônimo de homem largado, sem rumo. Hoje, é orgulho. É identidade.

“Farroupilha” também era insulto, éramos denominados  maltrapilhos, de gente de segunda classe.

Farrapos!

Mas os propósitos daqueles homens eram maiores que a ofensa. O termo virou símbolo de bravura, resistência e liberdade.

Imagine se aplicássemos o politicamente correto para se referir a epopéia farroupilha:

A revolução de Rio-Grandenses com vestimentas desgastadas pelo tempo.

Ficou ridículo, não é?

 Tão ridículo quanto o circo armado em Brasília. Um teatro que se preocupou com tudo, menos com a sua essência.

Temos orgulho de sermos Chimangos ou Maragatos, gaudérios e baguais. Tudo já foi pejorativo.

 Hoje, é a nossa essência!

O sentido das palavras pode mudar. Os propósitos e os valores morais de quem os carrega, não.

E por que não mudam? Simples.

 O propósito da nossa gente nunca esteve na retórica formal ou no visual das vestes.

. Esteve sempre e sempre estará nos ideais. Na honestidade. Na liberdade de pensamento.  Na vida proba.

Diante desse desfile diário de escândalos,  a liberdade em risco e a justiça à beira do precipício, cabe a nós   gaúchos darmos  uma  resposta à nação.

 Manter nossa tradição de independência e amor à liberdade.

 E exercer nosso direito nas urnas com um único pensamento na cabeça:

_”A pátria é minha família!

_ Não há Brasil sem Rio Grande

_E nem tirano que mande

na alma de um farroupilha!”

Jayme Caetano Braun. O poeta eternizou em versos o sentimento de liberdade do nosso povo.

Rogério Pons da Silva

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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