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Mundo Ambientalistas aprovam fala de Lula na ONU, mas defesa de petróleo é contraditória

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Orientação é que as manifestações sejam conduzidas pela diplomacia brasileira.(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O movimento ambientalista brasileiro elogiou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), mas aponta a contradição do País que quer liderar a agenda verde ao mesmo tempo em que pretende abrir novas frentes de extração de petróleo.

Para Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede com 95 organizações, o roteiro de Lula na plenária da ONU foi o esperado. “Foi na batida do que vem repetindo, falando de desmatamento, Cúpula da Amazônia, desigualdade, e está ótimo. O governo está entregando”.

A novidade ficou fora do púlpito, lembra Astrini, mencionando o pacote de transição ecológica e os encontros em Nova York do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, e de Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança Climática. Eles foram à Bolsa de Nova York e lançaram títulos verdes da dívida pública brasileira para promover ações socioambientais e climáticas.

“O governo está entregando, mas tem contradições como a agenda do petróleo. Não dá para ter as duas coisas, ter uma agenda de petróleo tão incisiva com membros do governo dizendo que a última gota de petróleo será extraída pelo Brasil e ser líder da agenda verde”, diz Astrini. “Vai ter que resolver essa contradição”.

“O discurso do presidente Lula na ONU abordou temas importantes da agenda climática, como o entrelaçamento entre a desigualdade e a crise climática, reforçando a necessidade de uma economia descarbonizada e pautada na redução de desigualdades sociais”, disse Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

“Em discurso voltado para a agenda global e as grandes questões da humanidade, Lula direcionou nosso olhar de forma mais contundente para a justiça climática e suas implicações. Merece também destaque a menção às soluções climáticas que estão sendo construídas no Sul Global pelos países amazônicos, da bacia do Congo e pela Indonésia, onde estão as grandes florestas tropicais do planeta”, continuou Voivodic.

A Avaaz celebrou o fato de o governo cobrar a promessa dos países ricos, de US$ 100 bilhões ao ano, a partir de 2020, para o mundo em desenvolvimento enfrentar a crise climática. A promessa ainda não foi cumprida.

“Mas se o presidente Lula quer ser um líder global, tem de começar pela Amazônia, colocando a justiça climática no centro das suas políticas. Deve impedir a exploração de petróleo na Amazônia e desenvolver um plano de transição para a economia brasileira que deixe de utilizar a floresta como um recurso a ser pilhado para obter lucro”, disse em nota Diego Casaes, diretor de campanha da Avaaz, responsável pela campanha da Amazônia.

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