Quinta-feira, 01 de outubro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
14°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Americanos compram 42% das exportações brasileiras de suco de laranja e 17% das vendas de café brasileiro ao exterior

Compartilhe esta notícia:

Além de suco de laranja e café, há intenção do governo de que os aviões da Embraer também fiquem fora do tarifaço. (Foto: Reprodução)

Nas conversas que mantém com representantes de comércio dos EUA, o governo brasileiro vai propor excluir alguns itens, como suco de laranja e café, do tarifaço de 50%. Essa é uma das alternativas que serão colocadas à mesa, se não for possível prorrogar a entrada em vigor da tarifa na sexta-feira, para todos os produtos brasileiros, segundo fontes próximas dos setores que acompanham a movimentação das autoridades brasileiras. O governo também tem a intenção que os aviões da Embraer fiquem fora do tarifaço.

Nessa terça-feira, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou em entrevista à CNBC que os EUA avaliam isentar de tarifas alimentos e outros recursos naturais que não são produzidos no território americano. Ele citou café e cacau, mas não fez qualquer menção específica ao Brasil.

O suco de laranja e o café são produtos que vão sofrer enorme impacto se o tarifaço for de fato implementado. Para o setor de suco de laranja, o cálculo é de um prejuízo de até R$ 4,3 bilhões se a tarifa de 50% não for suspensa. O Brasil é atualmente o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta, vendendo 95% de sua produção para o exterior. Desse volume, 42% têm os Estados Unidos como destino.

A tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de suco de laranja para os Estados Unidos pode gerar impacto anual de até US$ 792 milhões (R$ 4,3 bilhões). A estimativa de impacto de US$ 792 milhões considera a aplicação acumulada da nova tarifa de 50% com a alíquota adicional de 10%, anunciada em abril.

O valor representa um aumento de cerca de 456% em relação aos impostos pagos na safra 2024/25, que somaram US$ 142,4 milhões, segundo a Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O cálculo considera o desempenho da safra encerrada em 30 de junho e inclui as tarifas de acesso ao mercado americano. Na safra 2024/25, os Estados Unidos foram o segundo principal destino do suco brasileiro, com 41,7% de participação, atrás apenas da Europa. Foram exportadas 307.673 toneladas, o equivalente a cerca de 85 milhões de caixas de 40,8 quilos, com receita total de US$ 1,31 bilhão.

A produção americana de laranjas foi duramente impactada pelo greening, uma doença incurável que faz o fruto cair verde, antes de amadurecer, e deixa um gosto amargo no suco. A Flórida era a região com a segunda maior produção mundial de laranjas, mas a doença provocou uma redução de 90% na safra a partir do final dos anos 2000. Por isso, o país é tão dependente do suco de laranja brasileiro. Hoje, o Brasil paga uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada para exportar aos EUA.

No caso do café, o Brasil é o principal fornecedor da bebida aos EUA, que comprou 17% de todo o café brasileiro exportado entre janeiro e maio deste ano. A questão é que, se o produto brasileiro for taxado em 50%, dificilmente outro país poderá suprir toda a demanda dos EUA — e o café ficará mais caro para os americanos.

Além de suco de laranja e café, há intenção do governo de que os aviões da Embraer também fiquem fora do tarifaço. O presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, está nos EUA, mostrando que o país também perderá se os produtos da empresa foram sobretaxados. A fabricante de aviões tem uma unidade naquele país com 3 mil funcionários, além de US$ 3 bilhões em ativos.

Outro trunfo da Embraer é que até 2030 existe um potencial de compra de US$ 21 bilhões em equipamentos de fornecedores dos EUA, que vão compor os aviões que serão exportados para todo o mundo. Os EUA representam 45% de mercado de seus jatos comerciais e 70% dos jatos executivos.

A Embraer já vinha acionando canais nos EUA antes mesmo de os 50% de tarifa serem anunciados. A fabricante já estava negociando a redução da tarifa mínima de 10%, que tinha sido imposta ao Brasil.

A Embraer também fez um cálculo sobre como o tarifaço pode impactar seu caixa: até 2030 a empresa terá um custo de adicional de R$ 20 bilhões, considerando todas as encomendas já feitas, já que o gasto para fabricação de cada avião subirá em R$ 50 milhões por unidade. Isso reduz a competitividade das aeronaves nacionais no mercado americano. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Lula veta trecho de projeto de lei que reduziria pena mínima para lavagem de dinheiro
Produtos brasileiros não cultivados nos Estados Unidos, como o café e a manga, poderão ter tarifa zero, diz secretário de Comércio do país
Pode te interessar