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Saúde Ansiedade atinge quatro em dez brasileiros. Entenda a “doença do século”

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Segundo a Organização Mundial da Saúde, 9,3% dos brasileiros convivem com a patologia. (Foto: Reprodução)

Revirar-se de um lado para o outro na cama ou ter um friozinho na barriga na véspera de um evento importante, como uma prova ou entrevista de emprego, é sinal normal de ansiedade. O problema é quando os sintomas aparecem sem motivo aparente e são constantes – medo, inquietação, irritabilidade, taquicardia, falta de ar e aumento da pressão são sinais de ansiedade patológica. O problema atinge 33% da população, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), e 4 em cada dez brasileiros, de acordo com o Ipom (Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente).

“A ansiedade é uma coisa boa, é uma reação do organismo a uma situação de perigo. O problema é quando a gente dispara este mecanismo do cérebro para ‘coisas bobas’ ou imperceptíveis. Isso pode gerar um ataque de pânico”, diz a psicoterapeuta Myriam Durante, autora do livro “Ansiedade: Aprenda a Controlar sua Ansiedade e Viva Melhor”.

Em seu livro, a psicoterapeuta defende que a ansiedade pode ser tratada sem o uso de remédios: “O tratamento pode ser feito com técnica de hipnose e relaxamento, respiração, autoconhecimento e terapia. Técnicas de positividade também ajudam, já que o ansioso costuma ser muito negativo”.

Algumas pessoas estão mais propensas a sofrerem de ansiedade, diz o psiquiatra Sander Fridman. “Os ansiosos são pessoas mais controladoras, que projetam tipicamente uma percepção negativa para o futuro, enquanto os depressivos o fazem para o passado”, explica o especialista, que faz uma relação entre os dois males: “Depressão e ansiedade podem coexistir na mesma pessoa”.

E não é à toa que a ansiedade foi apelidada, por muitos especialistas, de “doença do século”. Para a psicoterapeuta, a falta de tempo e o uso excessivo de tecnologias – muitas que causam vício, como o celular – aumentaram os casos de ansiedade. “Estamos vivendo no automático, com pressa, grudados no celular, irritados com o trânsito. Com menos tempo, estamos sempre preocupados se estamos fazendo tudo correto, e, às vezes, nos culpamos, não conseguimos dormir.”

Psiquiatras, porém, acreditam que o tratamento para ansiedade não deve ser feito apenas com terapia.

“O tratamento é feito com antidepressivos e tranquilizantes. Em certas circunstâncias, outros medicamentos podem ser usados, como os anti-hipertensivos”, diz o psiquiatra Rodrigo Pessanha. Mas também são indicados tratamentos não farmacológicos, como a terapia cognitivo-comportamental e técnicas de meditação.

Ansiedade também é sinal de outros transtornos.

“Quando há ansiedade em excesso, pode desencadear transtornos como pânico, fobia social, transtorno do estresse pós-traumático e transtorno obsessivo compulsivo”, alerta Pessanha. “No transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo, o indivíduo passou por uma situação estressante e tem episódios de ‘flashback’, vivencia aquela experiência várias vezes.”

A estudante de Design Isabella Pedreira, de 24 anos, conta como começou a ter medo de tudo. “A ansiedade sempre esteve em mim, mas eu não tinha consciência. Só passei a entender quando evoluiu para síndrome do pânico. Tinha medo das sensações do meu corpo, achava que podia morrer a qualquer instante, tinha vergonha, principalmente por já ter escutado de médicos que isso ‘não era nada’. Podia não ser um infarto, mas era muita coisa. O pior foi quando comecei a ter medo do medo. Quando se agravou, decidi tentar me entender, pois tinha pavor de viver com isso para sempre.”

Para Isabella, o autoconhecimento foi necessário para controlar os sintomas de ansiedade: “Fiz análise por um ano e meio, encontrei um centro espiritualista muito acolhedor, busquei atividades como acupuntura, meditação e ioga. Comecei a me compreender de forma integrada, unindo corpo, emoções e questões espirituais. Mudou tudo! Hoje, não sinto medo daquela forma. Desejo que todos que vivem angustiados e calados, como eu vivia, possam encontrar seus caminhos e viver com a leveza que vivo e tanto desejei na época”. (AG)

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