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Por Redação O Sul | 30 de abril de 2020
Questionado por senadores ao longo de mais de cinco horas e meia, o ministro (foto) divergiu de algumas posições manifestadas pelo presidente Jair Bolsonaro
Foto: Divulgação/Ministério da SaúdeO ministro da Saúde, Nelson Teich, participou nesta quarta-feira (29) de audiência pública no Senado Federal para explicar as ações de combate à pandemia do novo coronavírus.
Questionado por senadores ao longo de mais de cinco horas e meia, o ministro divergiu de algumas posições manifestadas pelo presidente Jair Bolsonaro: se disse cético em relação à hidroxicloroquina e não defende o fim generalizado do isolamento social.
Teich classificou o medicamento, um dos vetores das divergências entre Bolsonaro e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), como “uma incerteza”. “Você teve aqueles estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário”, disse Teich durante a audiência, que foi realizada por meio de videoconferência.
O ministro afirmou que esteve em contato com a Novartis, empresa da indústria farmacêutica que produz a hidroxicloroquina. Segundo Teich, a empresa precisou “suspender bruscamente” uma produção acelerada do composto na China após dados preliminares registrarem “mortalidade alta”. “Certamente o remédio não vai ser um divisor de águas em relação à doença”,disse.
O presidente Jair Bolsonaro já defendeu o uso do medicamento em mais de um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão. No último realizado, relatou uma conversa com o cardiologista Roberto Kalil, que contraiu a Covid-19 e se tratou utilizando o composto.
Isolamento social
Ao longo da audiência, o ministro foi confrontado por diversos senadores que o questionaram a respeito da segurança de saúde para a flexibilização do isolamento social. Nelson Teich disse ao menos cinco vezes, segundo listagem feita pelo próprio ministro, que essa não é a posição do Ministério da Saúde.
“Quero deixar claro que em momento algum estamos discutindo se vai ter distanciamento ou não, isso já está colocado. A questão é como você vai utilizar. Está sendo colocado como se a gente estivesse defendendo a liberação, mas não é isso. Vamos definir qual o nível de distanciamento e isolamento, mas não que as pessoas vão ficar se agregando de forma descontrolada, já falei isso cinco vezes aqui”.
Respondendo a uma pergunta do senador Jaques Wagner (PT-BA), o ministro disse que a pasta está se limitando a planejar “critérios” para que “haja uma flexibilização no momento certo”. Nelson Teich não deu datas para que isso ocorra e disse que a recomendação só será feita nas regiões e momentos em que os casos estejam caindo. “O fato de nós estarmos planejando agora não significa que vamos liberar ou sugerir a flexibilização no momento em que a curva ainda está ascendente”, disse.
Desde que assumiu o cargo, o ministro da Saúde tem defendido “medidas diferentes em diferentes regiões do País”. Na primeira entrevista coletiva realizada pela atual gestão, na segunda-feira (27), o general Eduardo Pazuello, nomeado por Teich para ser seu secretário-executivo, afirmou que as medidas de isolamento deveriam ser tidas como exceção.
“Onde pode produzir e trabalhar, com as medidas preventivas necessárias e verificadas, assim tem que ser. Onde precisa ter ainda algum grau de isolamento, algum grau de distanciamento social, precisa ter também. Muito especificamente para cada lugar”, afirmou Pazuello na oportunidade.
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