Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2026
Mesmo com as limitações de trânsito pelo Estreito de Ormuz há mais de 50 dias em decorrência da guerra no Irã, 12 navios cargueiros já deixaram portos do Brasil nesse período rumo a países do Golfo Pérsico. O estreito é o principal acesso à maior parte dos portos da região.
Oito desses navios saíram do Brasil em março, primeiro mês da guerra movida pelos EUA e por Israel contra o Irã. Outros quatro cargueiros deixaram os portos desde o início de abril. É o que informou a Marinha do Brasil. A Marinha não detalhou, porém, para quais países do Golfo esses cargueiros foram exatamente.
Dos países do Golfo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são os dois maiores compradores do Brasil, com destaque para açúcar, carne de frango e milho. O Irã, terceiro maior, destaca-se por ser o principal importador de milho do Brasil, responsável por 23% das exportações brasileiras do cereal em 2025, mais de 9 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional de Exportadores de Cereais.
“Eu entendo que navios de interesse do Irã devem estar passando”, disse ao Valor o embaixador do Brasil no Irã, André Veras, antes do início dos bloqueios americanos aos navios que vêm ou vão ao país persa.
Apesar da guerra, em valores, as exportações do Brasil ao Irã no mês passado foram maiores do que em março de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a receita foi de US$ 134,8 milhões. Um ano antes, tinha somado US$ 128,6 milhões.
Para as duas maiores economias da região, as vendas do Brasil caíram em março. Para os sauditas foram de US$ 248 milhões – um ano antes, haviam somado US$ 255,6 milhões. Aos emirados, saíram de US$ 248,3 milhões para US$ 207 milhões.
Em 2025 e em 2024, as vendas brasileiras ao Irã ficaram em cerca de US$ 3 bilhões, por ano. São operações cercadas por dificuldades antigas. Bancos e empresas temem ser penalizados por países que sancionam o Irã – ainda que alimentos estejam fora das sanções.
Segundo André Veras, iranianos costumam relatar que as vendas brasileiras chegam a US$ 9 bilhões. “Possivelmente, muitas dessas cargas estejam sendo levadas para outros países e depois trazidas para cá, ainda que alimentos estejam fora das sanções”, disse o diplomata. Brasília anunciou em março um acordo com a Turquia para que portos do país possam servir de rota alternativa para o Golfo Pérsico.
Apesar da dificuldade no Estreito de Ormuz, embarcações com milho brasileiro continuaram chegando ao Irã, especialmente ao porto de Bandar Imam Khomeini. Segundo fonte de uma trading, cerca de 500 mil toneladas aguardavam para serem descarregadas naquele porto ao fim da segunda semana de abril, e 560 mil já estavam sendo descarregadas. Outras 675 mil haviam chegado ao país na última quinzena de março.
Contudo, o volume total de milho que chegou ao Irã (não só originado no Brasil) diminuiu. Segundo o operador, em março o volume descarregado foi de cerca de 1,1 milhão de toneladas, 200 mil a menos do que no mesmo mês de 2025. Além disso, há relatos de maior demora no descarregamento nos portos e nos pagamentos aos exportadores.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã praticamente interrompeu o fluxo de navios por Ormuz. Na semana passada, foi a vez de os EUA anunciarem que passariam a bloquear a passagem pelo estreito dos navios que atendem ao Irã, o que levou o país, no sábado, a novamente impor restrições ao tráfego em Ormuz. “A Marinha mantém o monitoramento da situação e difunde análises de risco e orientações de segurança marítima às empresas do setor, especialmente em relação às áreas consideradas sensíveis”, disse a Força brasileira. As informações são do jornal Valor Econômico.
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