Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2020
O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira (3) que o governo vai recomendar a ampliação do uso de medicamentos à base de cloroquina para o combate ao novo coronavírus. Mandetta disse que a recomendação, que era para uso apenas em pacientes considerados críticos, será ampliada para que os medicamentos possam ser usados em pacientes considerados graves.
Mandetta disse que a recomendação será feita apesar de o primeiro estudo científico produzido por cientistas brasileiros sobre os efeitos da cloroquina no tratamento da Covid-19 serem, nas suas palavras, frágeis.
“A gente divide os pacientes em formas leves, graves e críticos. Nós estávamos adotando (a cloroquina) para os críticos. Vamos adotar também para os graves, que são aqueles que vão para o hospital, mas ainda não necessitando de CTI. (Vamos fazer isso) Mesmo que as evidências sejam frágeis para que os médicos tenham a opção na farmacopeia pública”, afirmou Mandetta.
Na quinta-feira, foi publicado um estudo científico sobre os efeitos do uso de medicamentos à base de cloroquina em pacientes infectados pela Covid-19. A cloroquina, que também é utilizada para o tratamento de doenças como malária e lúpus, vem sendo mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro em seus discursos sobre a Covid-19.
Apesar das menções feitas por Bolsonaro, Mandetta vem reforçando que o uso da substância só pode ser feito com prescrição e orientação médica.
Alerta
O Ministério da Saúde fez um alerta no último dia 27, sobre o uso do medicamento cloroquina no combate ao novo coronavírus. O remédio sumiu de muitas farmácias desde que o presidente Jair Bolsonaro passou a divulgar informações de que o País estaria no caminho de encontrar uma medicação de combate ao vírus.
O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, disse que o uso da cloroquina pela população pode, na realidade, ter efeitos nocivos sobre a saúde. “A cloroquina é um medicamento indicado em condições específicas, mas ele tem contraindicações. Pode ser tóxico em médio e longo prazo”, afirmou à imprensa ontem.
“A cloroquina não é um medicamento para evitar a doença. Os estudos ainda estão sendo realizados. Estão seguindo um rito muito mais acelerado que o tradicional”, disse o secretário.
Em coletiva de imprensa no dia 28, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ressaltou que é importante que os medicamentos só sejam usados em casos mais complexos e não para os pacientes em geral. “Esse medicamento pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar a função do fígado. Então, se sairmos com a caixa na mão falando ‘pode tomar’, nós podemos ter mais mortes por mau uso do medicamento do que pela própria virose”, enfatizou.
Apesar de alguns estudos indicarem que os medicamentos podem conter a covid-19, ainda não existem evidências conclusivas sobre os efeitos das substâncias nesse tipo de tratamento. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo.
Os comentários estão desativados.